Brasil e China devem firmar parceria
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Denise Chrispim Marin<br>Agência Estado 
Brasília - Brasil e China pretendem lançar, ainda neste semestre, um plano de ação da parceria estratégica, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim. O foco estaria no equilíbrio do comércio bilateral, no aumento do fluxo de investimentos e na cooperação tecnológica.
Reafirmado ontem pelos chanceleres Celso Amorim e Yang Jiechi, o discurso político em favor de um impulso na relação econômico-comercial entre os dois emergentes mostrou incoerente, no entanto, com duas iniciativas recentes - a investigação brasileira de dumping na importação de calçados chineses e a desistência da Baosteel, maior siderúrgica chinesa, em investir no setor siderúrgico do Espírito Santo, em parceria com a Vale, num projeto de US$ 5,5 bilhões.
Ao final do encontro com Amorim, Yang tentou desfazer o mal estar causado pela decisão da Baosteel. O chanceler chinês afirmou a Amorim que a Baosteel estuda reconsiderar sua decisão. Mas acrescentou que, depois de sete anos, a companhia não quer perder mais tempo para executar esse projeto.
Amorim, entretanto, não demonstrou otimismo. Ele comentou que a construção da siderúrgica foi vetada por órgãos estaduais de meio ambiente - uma esfera sobre a qual o governo federal não teria como influir diretamente. ''Nós lamentamos. Não sei se a decisão é reversível ou não. Se conversarmos mais, quem sabe possamos não desperdiçar essa oportunidade'', afirmou Amorim.
O chanceler brasileiro preferiu apostar no possível financiamento do Banco Chinês de Desenvolvimento a investimentos chineses nos setores brasileiros de etanol, complexo soja e de infraestrutura. Como forma de elevar as exportações brasileiras, comentou sua expectativa de aumento da injeção de recursos privados do País na fabricação de motores e máquinas na China e nas obras públicas anunciadas por Pequim para amenizar o impacto da crise financeira.
Fascínio
Embora Yang tenha frisado a necessidade de fomentar o comércio e ''equilibrar'' a balança bilateral, que fechou 2008 com déficit de US$ 3,4 bilhões para o Brasil, Amorim deixou claro que a concorrência com a China traz aos produtores brasileiros mais temor que fascínio. ''Queremos mais ênfase no fascínio.''
Diante da imprensa, os dois ministros evitaram abordar os riscos de desvio de produtos chineses, antes embarcados para a Europa e os Estados Unidos, para o mercado brasileiro. O fenômeno tem sido notado pelo setor calçadista, que teve pedido de investigação de dumping sobre os concorrentes chineses acatado em 29 de dezembro passado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Apesar desses contratempos, Yang soube tratar de temas caros ao governo brasileiro durante a audiência com Lula, no Palácio do Planalto, e a reunião com Amorim. Disse que o Brasil e a China são países de peso em suas respectivas regiões e têm papel importante a executar, como vozes do mundo emergente, para a superação da crise financeira global. Com Lula, acertou a realização de quatro encontros bilaterais de alto nível antes da visita oficial do presidente brasileiro a Pequim.


