Brasil e Argentina decidem lutar por mais vagas na ONU
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domingo, 24 de agosto de 1997
Agência Estado Assunção, Paraguai 
France PresseConciliaçãoMenem e FHC, em Assunção: proposta de última hora, apresentada no encerramento da reunião do Grupo do RioNa tentativa de acomodar as posições divergentes sobre o preenchimento da vaga permanente que deverá ser reservada à América Latina no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Fernando Henrique Cardoso fez um gesto conciliador ao presidente argentino, Carlos Menem. Foi na última hora, no encerramento da reunião do Grupo do Rio, sábado à noite, em Assunção. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, o Brasil estaria disposto a lutar para que a região tenha mais de uma vaga permanente no Conselho.
Integrantes da delegação brasileira explicaram que a idéia é pleitear duas vagas permanentes para países latino-americanos. Ao deixar o encontro, Menem afirmou: O que a Argentina pretende não é uma só vaga, mas duas, três ou quatro para a região.
O chanceler argentino, Guido Di Tella, acrescentou: Ninguém disse que, porque se daria duas vagas para a Ásia e duas para a África, a América Latina teria também de ficar só com duas. O chanceler explicou que, na avaliação dos presidentes, a América Latina mereceria uma representividade maior. Todos juntos temos de discutir se são duas ou três vagas, disse.
Os embaixadores dos 14 países do Grupo do Rio na ONU vão agora levar a nova proposta para o grupo de trabalho das Nações Unidas, em Nova York, encarregado de discutir a reforma do Conselho de Segurança. Mas a aproximação ensaiada entre Menem e Fernando Henrique ainda não foi suficiente para resolver as divergências entre Brasil e Argentina a respeito da questão. Ninguém abriu mão de nada, resumiu Lampreia. O ministro brasileiro admitiu, porém, que a tese de mais vagas permanentes para a América Latina poderia ser uma forma de acomodar a disputa.
De acordo com um diplomata brasileiro, o Brasil aceita a ampliação do número de vagas permanentes no Conselho de Segurança, mas rechaça o critério de rotatividade sugerido pela Argentina na última semana. Ele explicou que, caso seja aprovada a atual proposta em discussão na ONU, a América Latina ficaria em desvantagem em relação a outras regiões.
Com a provável entrada do Japão e da Alemanha no Conselho, cabendo outras três vagas a países em desenvolvimento, a Ásia ficaria com três cadeiras: China, que já é membro, Japão e, provavelmente, a Índia.


