Frustrado em sua tentativa de obter apoio explícito à nomeação do Brasil para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, o governo brasileiro pôde contabilizar uma vitória na reunião do Grupo do Rio, que reuniu dirigentes dos países latino-americanos no final de semana em Assunção. Os países reunidos decidiram se empenhar na aproximação com a União Européia (UE) - vista, pela diplomacia brasileira, como a melhor forma de contrabalançar a crescente influência dos Estados Unidos na integração econômica da América Latina.
Abafada pela discussão em torno do Conselho de Segurança e as desavenças entre brasileiros e argentinos, uma outra decisão tomada na reunião do Grupo do Rio pode ter consequências para o futuro do comércio regional. Atendendo a um pedido do presidente francês, Jacques Chirac, e do primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, os países latino-americanos marcaram a primeira reunião de cúpula governamental com a União Européia para 1999. Reunião da qual o Mercosul pretende participar reforçado por ‘‘países associados’’: além do Chile e Bolívia, a Venezuela e o Peru.
‘‘Temos consciência de que é importante um avanço simétrico, na discussão da área de livre comércio das Américas e no aprofundamento dos vínculos com a União Européia’’, comenta o diretor do departamento da Europa, do Ministério das Relações Exteriores, Marcelo Jardim. Outros assessores do ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, são mais explícitos: a aproximação com a Europa é fundamental para dar peso ao Mercosul nas negociações com os Estados Unidos em torno da integração econômica nas Américas, e evitar que as decisões sobre o assunto sejam subordinadas aos interesses norte-americanos.
Composta por 15 países, a União Européia é o maior mercado consumidor de produtos brasileiros, e, no ano passado, absorveu quase 27% das exportações do país. Os Estados Unidos, nesse ano, receberam pouco mais de 19% das exportações brasileiras. O maior obstáculo à aproximação entre o Mercosul e os países europeus são as barreiras aos produtos agrícolas e têxteis, impostas pela União Européia - que tem seu sistema de pesados subsídios à agricultura em constante debate na Organização Mundial de Comércio.
O governo aposta no interesse europeu em relação ao mercado brasileiro - além dos sucessivos anúncios de investimento de multinacionais européias, o mercado brasileiro transformou-se em franco comprador de produtos da União Européia: até 1990, as importações vindas da Europa não passavam de US$ 4 bilhões; em 1996 elas superaram os US$ 14 bilhões, tornando deficitária a balança comercial entre o Brasil e aqueles países.
O próximo ensaio de aproximação política entre os dois blocos será em setembro, quando chanceleres do Grupo do Rio e da União Européia se reunirão, em Nova York, para discutir as regras de reformulação do Conselho de Segurança da ONU.

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