Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), anunciou ontem que adiará para a semana que vem a apreciação do veto do governador Roberto Requião (PMDB) ao plano de carreira dos professores estaduais e do projeto de lei que dobra os salários dos secretários de Estado. A decisão de Brandão frustrou as expectativas do líder do governo na Casa, Natálio Stica (PT), que pediu ao presidente da Assembléia para incluir as duas votações na pauta de hoje.
Brandão não quis esclarecer os motivos que teve para recusar o pedido de Stica. ''Não tem motivo algum. A elaboração da pauta é atribuição do presidente da Assembléia. E eu estou dizendo que vai ser na semana que vem, apenas isso'', declarou.
A divergência de encaminhamentos entre os dois pode ser atribuída ao momento delicado por qual passa a bancada de apoio a Requião na Assembléia. Embora Stica afirmasse ontem que a bancada tem votos suficientes para manter o veto ao plano de carreira dos professores e para aprovar o aumento salarial dos secretários, muitos deputados manifestaram descontentamento com o tratamento que vem recebendo do primeiro escalão do governo recentemente. Esse clima ruim entre as duas partes poderia inclusive resultar em uma rejeição do projeto que prevê o aumento dos salários dos secretários para R$ 11,9 mil.
O líder do PMDB na Assembléia, Nereu Moura, reconhece abertamente que há falhas na comunicação entre o governador e sua base de apoio. ''Tem havido falhas na comunicação. A prova disso é a margem apertada de votos a favor que a bancada governista vem obtendo nas votações. Em uma situação mais crítica, a oposição pode sair vitoriosa'', afirmou Moura.
Para tentar diminuir os atritos entre os deputados e o governo, o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, encontrou-se ontem com a bancada governista. Além de ser o principal articulista político de Requião, Caíto tem um certo ''mea culpa'' a apresentar aos deputados. Recentemente, o chefe da Casa Civil distribuiu ambulâncias no Sudoeste do Estado sem a presença dos deputados governistas com base eleitoral na região. Stica reconheceu que o episódio abalou a base. ''Realmente tivemos discordâncias regionais e vamos levar ao Caíto essa preocupação. O governo tem que agir em parceria com os deputados'', afirmou.

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