Curitiba
O secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), deve deixar o governo do Estado na primeira semana de 98. O anúncio oficial está marcado para ocorrer somente depois do retorno do governador Jaime Lerner (PFL), dos Estados Unidos, marcado para o dia 5 de janeiro. O secretário sinalizava ontem a possibilidade. ‘‘Estou disposto a sair, mas vou esperar o governador voltar’’, declarou.
O Palácio Iguaçu confirma a saída, mas não revela se o afastamento coincidirá ou não com a desincompatibilização antecipada dos secretários-candidatos. O secretário, que é deputado licenciado, voltaria a ocupar sua cadeira na Assembléia Legislativa. O retorno impede a permanência do suplente Ademar Traiano (PTB).
Brandão quer aguardar o término do trabalho da comissão especial, designada pela Assembléia para acompanhar as investigações feitas pela Câmara Municipal e Ministério Público de Faxinal (município do vale do Ivaí), para se posicionar. Ele é apontado como envolvido no desvio de verbas do Programa de Apoio à Pequena Propriedade, junto com o ex-prefeito Dirceu Dutra Guerra (PDT) e o deputado estadual Milton Pupio (PTB).
O secretário espera agilidade da comissão ‘‘para esclarecer os fatos’’. Brandão diz estar ‘‘consciente’’ de que não fez nada. Irritado com as especulações em torno da sua saída, afirma que está disposto a voltar à Assembléia e concorrer ‘‘a qualquer cargo eletivo’’. ‘‘Inclusive de presidente da República’’, ironizou. Até o dia 4 deste mês, quando o senador Roberto Requião (PMDB) vazou as denúncias de Faxinal, ele era cotado para ser o vice de Lerner na chapa do ano que vem.
A comissão especial de deputados será presidida por Horácio Rodrigues (PL) e relatada por José Tavares (PTB). Eles se reúnem hoje, na Assembléia Legislativa, para discutir um roteiro básico de trabalho. Ricardo Chab (PTB), Elio Rush (PFL) e Cesar Seleme (PPB) também integram o grupo. Nenhum parlamentar de oposição integra a comissão, que deve ir a Faxinal nos próximos dias.
Na segunda-feira passada, Hermas Brandão foi ao Chapéu-Pensador - gabinete do governo na subestação da Copel - para conversar com o governador. Lerner delegou a tarefa ao chefe da Casa Civil, Rafael Greca. Desde o vazamento da denúncia, o governador tenta manter-se à distância do caso. Disse em solenidades que não pode pré-julgar, mas deixa para o secretário a responsabilidade pelos esclarecimentos.

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