Bragança afirma que não sabia de bilhete de Chico
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Agência Estado 
O economista Luís Augusto de Bragança disse ontem à CPI do Sistema Financeiro que desconhecia o bilhete enviado pelo ex-controlador do Banco Marka Salvatore Cacciola ao ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, no qual reclamava do rigor do ex-diretor de Fiscalização do BC Cláudio Mauch e prometia esquecer tudo, caso fosse atendido no pleito de salvação do seu banco.
Bragança disse, ainda, que no dia 14 de janeiro falou por telefone com o economista Rubem Novaes (que também depôs ontem) para lhe comunicar o que estava ocorrendo e lhe disse que não poderia fazer mais nada. Mesmo assim, permaneceu até o dia 15 de janeiro pela manhã em Brasília, a pedido de Cacciola.
Ao tentar explicar a operação de salvamento do Marka, Bragança disse, em seu depoimento, que quando Lopes estabeleceu a banda larga de R$ 1,32 por dólar, imaginou que a cotação da moeda poderia recuar. Mas o mercado mostrou que ele estava errado, constatou.
Segundo Bragança, o Marka estava vendido no mercado a R$ 1,20 a R$ 1,22 por dólar e possuía cerca de 16 mil contratos, cada um de US$ 100 mil. Portanto, estava vendido em mais de US$ 1 bilhão. Ele disse, também, não ter conhecimento de que Cacciola tenha sido recebido pela diretoria do Banco Central. Pelo que leu na imprensa, foi recebido apenas por assessores.
O depoimento de Bragança começou às 19h22, após o economista assinar o termo de compromisso da comissão. Bragança disse que conhece o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes desde 1964, quando ambos ingressaram na Faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo seu relato, eles se tornaram amigos e frequentavam a casa um do outro - mas não tiveram negócios juntos.


