Bracarense desconsidera auditoria
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sexta-feira, 18 de maio de 2001
De Londrina 
O prefeito em exercício de Londrina, Luiz Carlos Bracarense (PPS), pediu uma auditoria independente para analisar o contrato entre a Celta System e a Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf). Em janeiro de 1999, a empresa, pertencente ao delegado regional do Trabalho no Paraná, Celso Costa, recebeu cerca de R$ 8 mil para fornecer à Acesf um software administrativo. Bracarense não aceitou a auditoria da prefeitura, alegando que uma das empresas que constam do processo licitatório (Precisa Informática), pertence ao auditor Osvaldo Alves de Lima.
Segundo relatório do auditor, além de não ter prestado o serviço, durante o processo licitatório a Celta teria falsificado documentos da Precisa e da Assecla, outra empresa que aparece no processo, mas que não disputou a licitação. O relatório da auditoria foi encaminhada à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que pretende apurar os fatos narrados pelo auditor. O advogado Glauco Ramos, que defende Costa, afirmou que seu cliente irá processar criminalmente o auditor.
Ontem, Lima não quis comentar a atitude do prefeito em exercício, dizendo apenas que foi uma decisão de governo. Na avaliação de Bracarense, a medida é apenas um ato administrativo e não pode ser chamada de crise.
Para Bracarense, o valor do contrato é relativamente pequeno, mas deve ser analisada a legalidade do processo. Um contrato desse não teria repercussão, não fosse o fato de ter sido envolvido o nome da empresa do nosso auditor. Para preservar o auditor na lisura de seu trabalho eu pedi que se fizesse uma auditoria independente para mostrar total transparência, justificou.
O prefeito em exercício disse que nesse caso específico Lima deve se afastar e designar alguém para realizar uma nova auditoria. Na Secretaria de Obras, se houver algo referente a mim, eu me declaro impedido e peço que outro funcionário faça o levantamento, afirmou. Segundo ele, o episódio não abalou o relacionamento entre ele e o auditor e que a decisão foi tomada por ambos.
Logo após a entrevista de Bracarense, a reportagem conversou com o auditor. Ele alegou que não sabia da nova auditoria. Na terça-feira, após a Folha divulgar notícia sobre o resultado da auditoria, Bracarense enviou uma carta ao jornal, dizendo que a administração não se responsabilizava pelo conteúdo do relatório.
Lima reafirmou que não se sente impedido para analisar o caso. Segundo ele, o nome da Precisa foi usada indevidamente. Ele não se sente impedido, mas é de bom-tom que passe para alguém fazer, afirmou Bracarense. Na sua avaliação, o fato do relatório de Lima ter sido enviado ao Ministério Público (MP) não impede uma nova auditoria. Fazemos uma outra auditoria mostrando que não havia impedimento. (L.R.)


