Curitiba - O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, estava transtornado com as acusações do deputado André Vargas de que teria havido um acordo na calada da noite para que o processo fosse arquivado pelo MP. De acordo com o procurador, o fundo criado prestou contas pela primeira vez em 2004 e tem se pautado em critérios de premiação e produtividade, realização de congressos, seminários e reequipamento da Procuradoria Geral do Estado (PGE).
Botto de Lacerda disse que não pode dar satisfações sobre o que aconteceu anteriormente, já que a Associação dos Procuradores do Paraná era a responsável pelo recebimento e distribuição dos honorários arrecadados. ''O discurso deles (Vargas e Tadeu Veneri) é carnavalesco. Não sei com que propósito este assunto volta à tona. Não houve conluio algum. Vou processar criminalmente quem disse isso. Deputado tem que ter responsabilidade. Não dá para esbravejar sem saber o que estão falando'', reclamou.
Botto de Lacerda acusou os parlamentares do PT de terem intuito claro de atingir os representantes do MP e da PGE. ''Estão tentando misturar as coisas. Não sei se por desinformação, leviandade ou com o objetivo de tumultuar a opinião pública. Legitimamente o Ministério Público pediu a extinção e eu concordei. Estão tentando colocar duas instituições em rota de colisão, atacando o Ministério Público e a Procuradoria Geral do Estado.'' Veneri rebate. Para ele, a PGE estava no seu papel em acatar a extinção da ação, já que os procuradores estavam sendo beneficiados com os honorários de sucumbência.
''Isso tem que ficar claro para a opinião pública e é o papel do parlamentar fiscalizar e exigir o cumprimento da lei. Eu quero saber quais foram os valores recebidos de 1988 a 2003 e o porquê que receberam se a legislação federal proibia. Ninguém está acima da Constituição Federal. Vamos verificar se algo está errado e assumir as consequências'', disse Veneri, que vai protocolar o pedido de informações na PGE na próxima segunda-feira.
Vargas declarou que não teme que Botto de Lacerda entre com queixa-criminal contra ele e reafirmou que acredita que tenha sido feito um conluio entre PGE e MP. ''Não se pode matar o carteiro porque ele trouxe uma notícia ruim. Neste caso, eu sou o carteiro. Ele (Botto de Lacerda) tem que esclarecer o que aconteceu e não atacar os que mostram a verdade. Ele é procurador para quê? Para defender os interesses dos procuradores ou o interesse do Paraná'', questionou. (L.P.)

mockup