Curitiba - O procurador-Geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, deu demonstrações claras ontem de que não estava brincando quando encaminhou um fax ao governador Roberto Requião com um pedido de demissão. Ontem ele não participou do encontro do secretariado, e na segunda-feira, não compareceu à reunião semanal Operação Mãos Limpas. Há quatro anos e dois meses no cargo, Botto de Lacerda pediu desligamento por motivos particulares. Ele está enfrentando sérios problemas de relacionamento com integrantes do alto escalão do governo estadual - homens de confiança de Requião. No fax encaminhado ao governador, Botto diz que tem sido aborrecido por ''intoleráveis agressões de maus companheiros de governo.''
Até ontem, o secretário-chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, não havia recebido o encaminhamento de Requião para publicação de decreto de exoneração. Pessoalmente, Iatauro não concorda com a saída de Botto de Lacerda - fiel escudeiro de Requião e um dos grandes batalhadores jurídicos do governo do Estado em torno de bandeiras de luta do governo como o fim dos bingos, a não comercialização de transgênicos e a redução dos valores do pedágio. ''Acho que a ausência dele é um indicativo de que não voltará atrás. O Estado perde com isto um grande nome. Não é possível perdê-lo por picuinhas governamentais. Na realidade não seria bom para o Estado perdê-lo por motivo algum'', confidenciou Iatauro.
Mesmo tendo ciência dos entraves para a volta de Botto de Lacerda, Iatauro disse que ainda tem esperanças de reverter o pedido de demissão. ''Não recebi ordem para bater o decreto de exoneração. E se eu receber, confesso que irei demorar um pouco para fazê-lo.''
Os pivôs do pedido de demissão de Botto de Lacerda teriam sido o Ouvidor Geral do Estado, Luiz Carlos Delazari e o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Pai e filho teriam divergências políticas e pessoais com o procurador. Outro integrante do governo que teria tido problemas pessoais com Botto de Lacerda é secretário de imprensa do Palácio Iguaçu, Benedito Pires.
Com o pedido de demissão, Botto de Lacerda se afasta também dos conselhos da Sanepar, da Copel e da Administração Portuária. Na Sanepar, Botto de Lacerda teria entrado em rota de atrito com alguns integrantes do governo ao tentar descobrir os motivos da liberação de mais de R$ 130 milhões para obras de saneamento no litoral que teriam sido orçadas em R$ 69 milhões. A Folha tentou falar ontem com Botto de Lacerda. Apesar de ser gentil ao atender o telefone, ele se negou a falar sobre o pedido de exoneração.

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