Curitiba - O ex-procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, tomou posse ontem como presidente do Conselho de Administração da ParanaPrevidência, fundo de aposentadoria dos servidores públicos estaduais. Homem de confiança do governador Roberto Requião (PMDB), Lacerda assume o cargo em meio a uma crise entre o Executivo e o Ministério Público (MP) estadual por causa de benefícios pagos a promotores. Com um discurso firme, ele defendeu a apuração de possíveis irregularidades em aposentadorias, pediu o fim de conflitos internos no fundo e negou que tenha recebido qualquer recomendação do governador para comandar o conselho.
À frente da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) entre 2003 e o início deste ano, Lacerda era um dos homens fortes do governo Requião. Sua nomeação para o cargo no fundo de previdência em meio a uma briga intensa entre o governo e o MP foi vista com certa desconfiança. Por isso, Lacerda fez questão de afirmar que não chega para ''atear fogo'' na ParanaPrevidência. ''O meu propósito aqui não é incendiar e também não é ser o bombeiro'', disse. ''Meu propósito é conduzir o Conselho, em parceria com uma diretoria unida, a fim de que os rumos desta empresa sejam retomados, correções eventuais sejam feitas e a tranquilidade volte a reinar.''
No centro da disputa interna estão integrantes do conselho que questionam ações do diretor jurídico da instituição, Francisco Alpendre, nomeado há dois meses por Requião. Em uma de suas primeiras medidas, Alpendre levantou suspeitas sobre aposentadorias pagas a membros do MP. Coincidentemente ou não, as supostas irregularidades foram divulgadas por Requião dias depois que o MP protocolou ações questionando o nepotismo no governo do Estado.
Ontem, Lacerda defendeu Alpendre. ''Com a plenitude das prerrogativas que a lei lhe concede, a iniciativa natural foi a de rever algumas questões, por coincidência em um momento em que se estabelecia uma crise entre o chefe do Poder Executivo e o MP'', disse o ex-procurador. A resolução desse impasse é a primeira missão de Lacerda à frente do conselho.
Lacerda declarou ainda que discorda das insinuações de que as medidas contra as aposentadorias dos promotores foram uma retaliação de Requião por causa das ações do MP. ''Nunca houve retaliação na minha ótica, nem mesmo com atitudes do governador. Cada um tem o seu estilo de colocar as coisas. Às vezes a contundência de algumas manifestações é interpretada como sendo retaliação ou exagero.''
Para acabar com divergências internas, Lacerda pediu a união dos integrantes do conselho e da direção da ParanaPrevidência. Caso isso não aconteça, admitiu que membros do comando do fundo podem ser substituídos. ''Podem acontecer substituições no conselho e na diretoria'', disse. Segundo ele, essa não foi uma recomendação de Requião. ''Venho aqui com uma visão de liberdade de decisão. O governador não deu nenhuma recomendação. Entre nós não é preciso, nós falamos por telepatia'', declarou.

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