Botelho fala de nova
paralisação nacional
O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, garantiu ontem no Fórum de Curitiba que os transportadores autônomos podem fazer uma nova greve nacional, a exemplo do que aconteceu em julho do ano passado. ‘‘O caminhoneiro tem fôlego para pagar pedágio por mais 60 dias, e até o final do mês decidiremos o que fazer’’, afirmou. Botelho lembrou que dia 28 haverá uma reunião de representantes de sindicatos de transportadores com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Desde agosto do ano passado, quando terminou a greve geral de transportadores, os caminhoneiros começaram a negociar com o governo uma redução nos valores do pedágio e revisão dos programas de concessão. ‘‘Essas negociações estão muito morosas, não dá para esperar mais tempo’’. No próximo dia 29 haverá uma reunião nacional de donos de transportadoras, caminhoneiros autônomos e setores produtivos, em Ponta Grossa.
Por sua vez, o presidente da Associação dos Usuários de Rodovias do Paraná, Paulo Muniz (foto), defendeu a criação da Agência de Regulação das Concessões de Rodovias do Paraná e o pedágio diferenciado. Muniz, que coordenou o Fórum de Londrina, disse que a justiça só poderá existir quando os usuários pagarem por apenas aquilo que usam. ‘‘Não é possível que os usuários tenham que andar poucos quilômetros e ser obrigados a pagar por 60, 90 quilômetros’’, disse. Muniz disse que conhece um pequeno produtor da região de Assaí, que percorre apenas 500 metros para deslocar-se até seu sítio, mas paga o pedágio na sua integralidade.
Muniz afirmou que apenas com a agência é que a sociedade vai poder ter oportunidade e avivar a discussão, e também manifestou preocupação com as perspectivas de obras nas rodovias programadas para apenas daqui a oito ou 17 anos. A circunstância contratual, disse Muniz, vai comprometer a rede rodoviária paranaense: ‘‘Há estudos do próprio Ministério dos Transportes indicando que para cada 1% do PIB rural devem existir 1,8% de investimentos nas rodovias, para o transporte das safras. Dessa forma, quando o governo readquirir as estradas, elas estarão acabadas’’.
O empresário também reclamou dos critérios adotados para localização das praças de pedágio que, na Região Metropolitana de Curitiba, ficam a mais de 70 quilômetros da capital, enquanto as praças do interior ficam muito próximas dos grandes centros – como Londrina, Maringá, Cascavel – o que compromete fortemente o cinturão verde.

mockup