A prefeita de Borrazópolis (84 km ao sul de Apucarana), Maria de Lourdes Pereira (PPB), a ‘‘Malú’’, já sabia que iria encontrar uma situação difícil, mas não imaginava que o quadro era tão caótico. ‘‘A dívida do município é superior a R$ 3 milhões, para uma arrecadação mensal estimada em R$ 240 mil’’, relatou. ‘‘E existem servidores com até 24 meses de salários em atraso, além de um expressivo número de cheques frios da prefeitura espalhados na cidade e região’’, declarou ontem.
Malú anunciou que a prefeitura continuará funcionando apenas com expediente interno até o final deste mês, quando ela pretende concluir e encaminhar ao Ministério Público (MP) um levantamento geral da situação financeira, administrativa e patrimonial do município.
Dados preliminares de uma auditoria indicam que os recursos de vários convênios foram recebidos, mas as obras não foram realizadas. ‘‘Máquinas e veículos foram depenados; estão sem motor, pneus e até acessórios’’, informou a prefeita.
Conforme sustenta Malú, a prefeitura terá que reduzir de 498 para 250 o número de servidores, visando adequar-se às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que determina ao município que não gaste mais do que 60% de sua receita líquida com pessoal. Pela lei, o índice cairá para 54% a partir do próximo ano. Os servidores ainda não se manifestaram em relação aos cortes previstos, mas deve ocorrer reação nos próximos dias.
Nestes primeiros dias de administração, a prefeita negociou o retorno ao trabalho dos funcionários do Hospital Municipal. Eles estavam em greve desde o dia 20 de dezembro, reclamando o recebimento de salários atrasados. (M.B.)

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