Principal autor do projeto de lei que altera uma área às margens do Lago Igapó I de Zona Especial de Fundo de Vale (ZE-4) para Zona Residencial I (ZR-I) , o vereador Mário Takahashi (PV) defendeu a proposta para corrigir erro cometido por "alguém" na administração municipal. No mapa do zoneamento urbano de Londrina, o espaço que representa o perímetro que engloba dez lotes, localizados entre a Rua Otaviano Gonçalves Ferreira e o lago, teria recebido uma pintura diferente da original, passando a identificá-lo como fundo de vale. Portanto, impossibilitado de receber construções.
Para o vereador, "esse erro é um absurdo". O projeto pautou o debate em plenário por quase duas horas na sessão dessa quinta (17), com períodos de suspensão para que os parlamentares pudessem esclarecer dúvidas com a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Ignês Dequech, e com o diretor da Secretaria de Obras, Ossamu Kaminagakura. O Ippul reconhece que "um equívoco cometido no passado" pela prefeitura precisa ser corrigido. Segundo Takahashi, o texto atual do Plano Diretor de Londrina, teria sido produzido em cima de "um erro, porque alguém na prefeitura, sem projeto de lei específico, pintou no mapa aquele ponto como ele está hoje, gerando problemas para os proprietários e até uma insegurança jurídica que tem que ser evitada no município".
Lembrou o parlamentar que alterações de zoneamento devem tramitar no Legislativo. O Ippul não sabe quem teria passado uma tinta de cor diferente sobre o mapa do zoneamento urbano. Vereadores chegaram a cobrar sindicância para apurar responsabilidades, embora ninguém soubesse em que ano o "borrão" teria ocorrido. Elza Correia (PMDB) defendeu a rejeição da matéria por entender que abriria um precedente para outras áreas às margens do lago. "Isso tem que ser discutido na renovação do Plano, não podemos fazer mudanças pontuais." Representantes do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) estiveram na Câmara e também criticaram a proposta.
O local às margens do Igapó já possui construções de alto padrão e, segundo Takahashi, os proprietários devem respeitar a área de preservação permanente, que à época, exigia 15 metros a partir da margem do lago para edificações de maior impacto. A legislação atual prevê 30 metros. Em primeira discussão, o projeto foi aprovado na sessão da Câmara dessa quinta-feira.

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