O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), está trabalhando para evitar a cassação de Antonio Carlos Magalhães, do seu partido. No fim da tarde de quarta-feira, horas depois da leitura do relatório do senador Saturnino Braga no Conselho de Ética, Bornhausen abordou o assunto numa audiência no Palácio do Planalto com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
A principal preocupação de Bornhausen é que uma posição formal sobre a cassação dos outros dois partidos que integram a base governista (PSDB e PMDB) prejudique de forma definitiva a aliança em 2002. Bornhausen fez esse alerta ao presidente. Outra preocupação do PFL é com a reação de ACM, caso os aliados tomem uma decisão partidária sobre a questão. Com isso, avalia um pefelista, ACM ficaria livre para liberar os parlamentares do grupo político dele a assinar as CPIs contra o governo.
A pressão pefelista era para evitar a reunião da Executiva do PSDB, realizada ontem. Já o PMDB deve decidir se terá uma posição em reunião extraordinária da executiva nacional, na próxima terça-feira. ‘‘Não posso me intrometer na vida do PSDB e do PMDB, mas este deveria ser um assunto exclusivo do Senado’’, advertiu ontem Bornhausen. ‘‘Isto não é bom para a convivência dos partidos.’’
‘‘Isso será muito ruim no futuro’’, avisa o senador, indicando que o episódio poderá implodir a aliança. Para ele, essa deveria ser uma decisão das bancadas e não dos partidos. ‘‘Afinal, passaremos a ser juízes desse episódio e, nesta condição, não pode haver intromissão partidária’’, disse Bornhauser.

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