São Paulo - O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse ontem em São Paulo que seu partido deverá entrar, nesta semana, com uma denúncia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando ''urgente investigação'' nas contas do PT e do PTB. Num segundo momento, o senador pensa em apresentar um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a ''cooptação'' de parlamentares por outros partidos.
Em nota assinada por ele, intitulada ''À nação estarrecida'', o senador afirma que ''é preciso apurar se houve transferência de recursos de um partido para o outro ou se, conforme a reportagem da revista ''Veja', foram efetivados pagamentos em espécie a parlamentares, candidatos ou não no pleito de 2004''.
De acordo com a revista ''Veja'', PT e PTB fecharam um acordo em que o PT os petistas dariam cerca de R$ 10 milhões para os deputados federais do PTB ajudarem candidatos a prefeitos e vereadores em seus redutos eleitorais e para a cúpula do partido aplicar nas campanhas que julgasse estratégicas. O dinheiro, porém, não teria sido liberado, apesar do apoio do PTB aos candidatos do PT em São Paulo e no Rio, contrapartida para a liberação dos recursos. Ainda de acordo com a revista, o ministro José Dirceu (Casa Civil) participou da negociação.
Para Bornhausen, ''fatos como esse explicam por que as investigações não andam, os inquéritos não avançam, as comissões parlamentares são paralisadas e as promessas de esclarecimentos amplos são adiadas até o esquecimento''. A intenção de Bornhausen é que o TSE investigue se os recursos a que se refere a revista saíram do PT e foram transferidos para o PTB. Ele classificou de ''inusitado'' o acordo entre os dois partidos e disse que o PFL faz ''coligação, mas não transação''.
Bornhausen disse que ''o PTB é um partido que não tem diretórios organizados, que vive de comissão provisória, e é, no mínimo, cartorial''. Mesmo assim, avaliou que a legenda ''foi uma boa aliada'' quando apoiava o governo de Fernando Henrique.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, afirmou que o suposto acordo entre PT e PTB em que petistas dariam dinheiro a deputados em troca de apoio a candidatos a prefeito deve ser apurada por meio de processo na Justiça Eleitoral. ''A se confirmar o acordo, trata-se de ato de improbidade administrativa com repercussão político-eleitoral'', disse o presidente da OAB. ''É bom que esses fatos venham à tona para que não fiquem simplesmente nas entranhas do poder dos partidos políticos, para que a sociedade tome conhecimento e, assim, as instituições funcionem'', completou.

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