Bornhausen quebra silêncio e admite erros
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domingo, 11 de fevereiro de 2001
Gerson Camarotti e Chistiane Samarco Agência Estado.De Brasília 
Na reta final das campanhas pela sucessão no Congresso, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), quebra o silêncio e admite pela primeira vez que seu partido cometeu erros estratégicos. Não somos um partido de profissionais; nós também erramos, diz. Mesmo assim, ele evita jogar a culpa no senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), autor do veto à candidatura do presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA).
Bornhausen nega a acusação feita pelos caciques do PMDB de que o próprio Palácio do Planalto estaria participando da construção de uma terceira via para a eleição no Senado. Ele também contesta as ameaças dos peemedebistas, de que a derrota de Jader poderia gerar instabilidade política nos dois últimos anos do governo Fernando Henrique. Não haverá crise de governabilidade, garante.
Ao analisar a disputa na Câmara, Bornhausen faz duros ataques à atuação do ministro Francisco Dornelles (Trabalho), a quem acusa de ser o responsável por um movimento espertamente articulado para ganhar no grito a bancada PPB, em favor da candidatura do deputado tucano Aécio Neves (MG). Ele insiste que é grande a disposição do partido em lançar uma terceira via para enfrentar Jader na corrida sucessória do Senado, e salienta: só entrará na disputa em numa situação limite.
Segundo ele, a candidatura do líder Inocêncio Oliveira (PFL-PE) à presidência da Câmara continua sendo a prioridade do partido. Mesmo assim, o senador acredita que Inocêncio saberá entender uma decisão dos pefelistas do Senado, caso ele precise entrar no jogo eleitoral para evitar o racha na bancada de 21 senadores. A seguir, trechos da entrevista:
AE O senhor está entrando na disputa do Senado numa estratégia para manter a coesão do partido ou para gerar uma alternativa anti-Jader, como acusa o PMDB?
Bornhausen Eu considero que a melhor alternativa é uma terceira via, com um candidato da base governista que tenha condições de disputar e ganhar. Coloquei meu nome como uma obrigação do presidente do partido, caso esta engenharia de formar a terceira via não seja possível.
AE Só existe terceira via fora do PFL?
Bornhausen Eu estou colocando que nós estamos trabalhando com a terceira via. Quando se trabalha com terceira via não se escolhe candidato. Verifica se tem o número suficiente para ter um candidato.
AE Mas o PMDB ameaça com uma crise de governabilidade nos dois últimos anos do governo Fernando Henrique, se acontecer uma derrota do senador Jader Barbalho?
Bornhausen Eu acho que o PFL, diante da posição tomada pelo PMDB e PSDB na Câmara e no Senado, tem o direito de examinar o seu caminho, traçar o seu rumo. E é isso que estamos fazendo. Nossa prioridade é lutar para eleger Inocêncio.
AE E como ficaria o cenário de crise de governabilidade, com o PMDB derrotado na oposição?
Bornhausen Não há crise de governabilidade. Esse é um episódio político da Câmara e do Senado. É bom reforçar: fomos excluídos da decisão do PSDB e PMDB. Então nós temos que tomar um caminho.
AE Procurar um caminho no Senado é eleger outra prioridade, quando a eleição do líder Inocêncio Oliveira (PFL-PE) já foi enfraquecida no início porque a prioridade do senador Antonio Carlos Magalhães era derrotar o senador Jader Barbalho. Isso não atrapalha ainda mais o Inocêncio?
Bornhausen A nossa prioridade é e continua sendo Inocêncio Oliveira, que foi um grande presidente da Câmara e foi o líder que ajudou Luís Eduardo Magalhães na continuidade das reformas. Mas, no Senado, nós não temos espaço. Ficamos com espaço intermediário entre uma candidatura e outra. Então, evidentemente, nós vamos trabalhar nesse espaço intermediário. Isso não vai prejudicar a candidatura Inocêncio.
AE Mas os coordenadores da campanha do Inocêncio dizem que sua candidatura poderia ser para PFL na Câmara.
Bornhausen Eu já coloquei que a função de presidente do partido exige sacrifícios. Fui candidato a governador, em 1994, em Santa Catarina, porque o presidente Fernando Henrique não tinha nenhuma base partidária no Estado. Na época, o PSDB não o apoiava em Santa Catarina e eu fui candidato a governador consciente de que ia perder. Me senti no dever de sê-lo porque era presidente do PFL catarinense. É esta a posição em que me coloco agora. Se não conseguirmos o número suficiente para a terceira via, o PFL terá que ter um candidato para mostrar os seus 21 votos e cabe ao presidente do partido essa função.


