Os líderes aliados ao Palácio do Planalto pretendem que os trabalhos das CPIs do Judiciário e dos Bancos ocorram de forma tranquila. Segundo o vice-líder do PT, José Eduardo Dutra (SE), a oposição também acredita que elas deverão ser ‘‘menos incendiárias’’ do que as que apuraram desvios de recursos no Orçamento da União e o esquema de corrupção que resultou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
O nome mais forte para a presidir a CPI do Poder Judiciário é o do presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC). Já a CPI do sistema financeiro deverá ser presidida pelo senador José Fogaça (PMDB-RS). O bloco da oposição já escolheu seus representantes para as comissões: na do Judiciário, a representação será feita pelos senadores José Eduardo Dutra e Jefferson Péres (PDT-AM). Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Roberto Saturnino (PSB-RJ) estarão na CPI do sistema financeiro.
De acordo com o senador Suplicy, os nomes só serão formalizados depois de o PFL e o PSDB indicarem seus representantes e quando não houver mais dúvidas sobre a instalação das duas comissões. O requerimento do líder do PMDB, Jader Barbalho, assinado por 45 senadores e não por 70, como o senador havia informado no dia anterior, foi lido anteontem em plenário. Agora, o texto será publicado no Diário do Senado, encerrando-se aí o primeiro passo para criação da comissão. O próximo será a indicação dos 11 titulares e 6 suplentes que vão integrá-la, na semana que vem.
As articulações para formar as comissões recomeçarão na próxima terça-feira. É quando o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), conversará com Barbalho sobre a instalação primeiramente da comissão que propôs. Segundo ele, trata-se de uma questão de lógica, já que a CPI do Poder Judiciário foi criada antes. ACM informou ontem ao senador Suplicy que a impossibilidade em transformar a comissão do sistema financeiro em mista decorre do fato de o requerimento aprovado referir-se apenas a membros do Senado.
Segundo ele, ‘‘se houver deliberação posterior das Mesas (da Câmara e do Senado) o assunto será examinado pelo plenário’’. Para ACM, o funcionamento simultâneo das duas comissões ‘‘não é o ideal, mas também não é o fim do mundo’’. As nomeações para a CPI do Judiciário estão previstas para quinta-feira. As duas comissões já contam com assinaturas suficientes para sua criação.

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