Bornhausen pede expulsão de ACM do PFL
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sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Agência Estado 
Brasília - Numa reunião tensa da Comissão Executiva Nacional do PFL, o presidente nacional licenciado do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), entrou ontem com uma representação contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), pedindo a expulsão dele da legenda por tê-lo acusado de ''roubar'' recursos do caixa da sigla. Bornhausen e ACM não se encontraram na reunião.
Para deixar a executiva à vontade no julgamento, Bornhausen licenciou-se da presidência por 30 dias e passou o posto ao vice-presidente nacional da agremiação e amigo, senador José Jorge (PE). O presidente nacional licenciado do PFL avisou que uma reconciliação só virá se ACM fizer uma retratação pública e por escrito, o que ele ainda não se dispôs a executar.
Foi o mais sério abalo na estrutura do partido, que, ao longo dos 18 anos de existência, tem mantido o equilíbrio político interno às custas de quatro pilares: o senador Marco Maciel (PFL-PE), o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), e os dois protagonistas da crise.
Como o PFL baiano é a seção mais forte da legenda, com um terço dos votos da bancada da Câmara, o rompimento não convém ao comando da sigla, que luta com dificuldades para se firmar na oposição ao governo federal. Tampouco é conveniente a ACM, que diz ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se mantém próximo do Palácio do Planalto, mas não tem mais prazo legal para tirar os prefeitos da sigla antes da eleição municipal de 2004.
Apesar da gravidade da crise, os bombeiros pefelistas marcaram um tento ontem. Em ação desde a véspera, Maciel, Sarney e o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), avaliam que conseguiram, ao menos, desarmar a ''bomba'' do rompimento, que, por pouco, não detonou a agremiação ontem cedo.
''Nossa estratégia na executiva foi ganhar tempo e acalmar os ânimos para encontrar uma saída honrosa para ACM'', resumiu um dirigente pefelista.
A ''saída honrosa'' está traçada. Nomeado relator do processo por Jorge, o deputado Gilberto Kassab (PFL-SP) é reconhecido pelo senador do PFL da Bahia como um ''homem de Bornhausen'', mas também joga na reconciliação. Para abrir espaço à manifestação de ACM sem que as explicações dele pareçam um recuo humilhante, Kassab enviou a ele um comunicado oficial do recebimento da representação do presidente nacional licenciado do partido.
Foi a ''deixa negociada'' para a retratação de ACM o mais rápido possível, a título de resposta ao comunicado do relator.
O conteúdo da carta ficará a cargo do senador do PFL, que ontem se socorreu do PT para garantir que, ao menos do ponto jurídico, a resposta seja satisfatória para o livrar de um eventual processo.


