Bornhausen e Mercadante são candidatos
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quinta-feira, 08 de fevereiro de 2001
Christiane Samarco e Silvia Faria Agência Estado De Brasília 
O dia de ontem foi agitado ontem em Brasília com o lançamento das candidaturas de Aloizio Mercadante (PT-SP) para a presdidência da Câmara dos Deputados e do presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen (SC), para a presidência do Senado. Mercadante conta com o apoio do PC do B, PDT e PV e com uma plataforma recheada de promessas de independência do Legislativo em relação ao Palácio do Planalto. Já Bornhausen é uma alternativa à chamada terceira via, caso o PFL não consiga um bom nome na sucessão no Senado fora do partido.
Em jantar dos senadores pefelistas na casa do líder Hugo Napoleão (PI), na terça-feira, Bornhausen deixou claro que aceita ir para o sacrifício, para evitar o racha do partido entre as candidaturas do oposicionista Jefferson Peres (PDT-AM) e do presidente e líder do PMDB, Jader Barbalho (PA), à presidência da Casa. Estaríamos todos juntos com Sarney (o senador José Sarney, do PMDB), sem nenhuma dúvida, mas o fato é que isto não ocorreu e todas as nossas premissas foram falhando, disse Bornhausen na reunião que antecedeu o jantar, para concluir: Diante deste momento difícil, eu me coloco à disposição do partido, em nome da unidade, e se eu tiver os 21 votos da bancada, me sentirei honrado.
A oferta, ainda que posta como última alternativa para a reta final da campanha no Senado, deixou em desespero o comando da campanha do líder pefelista Inocêncio Oliveira (PE) à presidência da Câmara que esperava ver o partido apoiando Jefferson Peres no Senado em troca de votos da oposição para a própria candidatura. O Senado é soberano para decidir seus destinos, mas, pelo compromisso assumido comigo, não é possível lançar uma candidatura do PFL lá, sustentou Inocêncio ontem à tarde.
Já o lançamento de uma candidatura de oposição deverá provocar a realização de um segundo turno nas eleições para presidência da Câmara, marcada para o próximo dia 14. É uma campanha tardia, mas que nasce em um momento oportuno, destacou ontem Mercadante, ao lado de Jefferson Péres. Se o PFL tiver coerência no que disse sobre o Jader Barbalho, terá que votar no Jefferson Péres, comentou o petista.
Na avaliação de Mercadante, que deixou a liderança petista para se lançar candidato de oposição, sua candidatura tem chances de chegar ao segundo turno porque há uma enorme insatisfação na base governista. A fragmentação e o descontentamento da base governista são tão grandes que não descarto uma surpresa agradável e eu ir para o segundo turno, afirmou o petista. E frisou que sua candidatura se dará na disputa de idéias com os demais candidatos. Não tenho a máquina do Palácio do Planalto para me eleger nem negocio cargos na mesa diretora, garantiu.
O lançamento de candidatura própria de oposição na Câmara agradou aos dois principais candidatos. Para o líder do PSDB e candidato à presidência da Câmara, deputado Aécio Neves (MG), a candidatura de oposição ajuda a sua eleição ainda em primeiro turno. A soma de todos os partidos que me apóiam me dá 320 votos e acho que não haverá segundo turno porque um candidato de oposição não tira os meus votos, explicou o tucano. Já para o líder do PFL, Inocêncio Oliveira, a candidatura de oposição o ajuda porque provocará um segundo turno. E espero que no segundo turno o PT vote em mim, disse o pefelista. Segundo ele, o PFL votará em Mercadante, caso ele chegue ao segundo turno.


