O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defendeu ontem a união dos cinco partidos da aliança governista em torno de um projeto de consenso antes de escolher o candidato à sucessão presidencial de 2002. Ele observou que o presidente Fernando Henrique Cardoso não era considerado um nome para a Presidência em 1994,
‘‘Em 1994, não existia candidato natural e nós nos aproximamos em torno do Plano Real’’, lembrou, afirmando que os partidos concordaram que a melhor pessoa para conduzir o programa seria o ministro da Fazenda, cargo então ocupado por Fernando Henrique. - ‘‘Ele não era o candidato natural; o programa nos levou ao Fernando Henrique’’, disse Bornhausen.
Em 1998, acrescentou o senador, o presidente era o candidato natural por estar à frente nas pesquisas. Ele comentou sobre como se deu a adesão do partido ao programa que elegeu e sustentou a reeleição de Fernando Henrique. Bornhausen contou que, embora acreditassem que o plano de estabilização daria certo, os pefelistas consultaram o ex-ministro Mário Henrique Simonsen e outros especialistas antes de decidir pelo apoio.
O presidente do PFL também admitiu que o resultado da briga entre os partidos governistas pelo comando das Casas do Congresso em 2001 poderá comprometer a aliança. ‘‘Se nós chegarmos a um entendimento sobre a composição das Mesas, facilita’’, avaliou. ‘‘Senão, poderá extinguir a aliança. Não vamos tapar o sol com a peneira’’, afirmou o senador.
Na opinião de Bornhausen, nem mesmo a candidatura do líder tucano Aécio Neves (MG) a presidente da Câmara e o acirramento do duelo verbal entre o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), impedem um acordo. ‘‘Eleição de mesa de Câmara e assembléia ou se resolve com muita antecedência ou na véspera’’, disse Bornhausen. ‘‘Qualquer entendimento vai surgir nos últimos três dias.’’ Ele reiterou que PFL está unido no Senado e que as negociações serão comandadas pelo líder do partido, senador Hugo Napoleão (PI).

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