O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), já antecipou publicamente seu voto contra a cassação de ACM, mas ainda assim há quem desconfie da boa vontade do comandante pefelista com o companheiro baiano. Pudera. Foram tantas as brigas, desde os tempos de governo José Sarney (PMDB-AP), quando ambos eram ministros, que até pefelistas mais atentos não arriscam contabilizar os entreveros.
Depois de desdenhar o veto de Bornhausen ao senador Gilberto Miranda (AM), filiado por ACM no PFL, o cacique baiano ameaçou tomar-lhe o comando do partido há um ano, por conta das divergências em torno do valor do salário mínimo. Mas diante da divulgação da conversa de ACM com os procuradores da República em torno da lista da votação secreta de Luiz Estevão, em fevereiro, ACM não só levou uma reprimenda pública de Bornhausen, em nome do PFL, como perdeu os dois ministros que indicara ao presidente Fernando Henrique.
O embate foi grave, mas não foi o único entre pefelistas este ano. A Revista Isto É divulgou que, na mesma conversa com os procuradores, ACM comentara que ‘‘tudo o que tem de errado no Tocantins tem o Jader (Barbalho, presidente do PMDB e do Senado) e o Siqueira (Campos, governador do Estado) juntos’’.
Desta vez foi o senador Eduardo Siqueira (PFL-TO), filho do governador, quem desabou furioso na executiva nacional do PFL, dizendo que não conviveria mais com ACM no mesmo partido depois de tanta leviandade. Eduardo Siqueira garante que a pendenga foi encerrada tão logo o senador baiano negou a frase e declarou seu apreço a pai e filho.
‘‘Tem que haver total isensão, porque um julgamento não admite vínculos de espécie alguma, seja pelo fato de sermos companheiros de partido ou personagens de uma rusga anterior’’, pondera Eduardo.
Discursos à parte, também não será tarefa fácil, para senador Romeu Tuma (PFL-SP), manter a frieza de um delegado no julgamento. Não o foi no recente episódio da sucessão no Congresso, em que Tuma foi às lágrimas durante uma reunião da bancada, queixoso do ‘‘massacre’’ contra seu filho, deputado Robson Tuma (PFL-SP), apontado como traidor. ‘‘Não sei como de um pai policial pode sair um filho terrível destes’’, disse ACM na ocasião.
Já o tucano Antero de Barros (MT), não disfarça a má vontade com ACM. Tanto que em seu depoimento ao Conselho de Ética, o pefelista fez questão de ressaltar a raiva que o adversário lhe tinha, sem motivo aparente. ‘‘Já sofri um atentado e não tenho ódio nem do sujeito que me deu quatro tiros’’, defendeu-se Antero. ‘‘Não tem, porque guardou tudo prá mim’’, retrucou ACM num dos raros lances de bom-humor em meio ao sofrimento confesso dos últimos dias.

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