O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen criticou ontem o apoio do PSDB à candidatura do PT no segundo turno das eleições em Curitiba. O senador esteve na cidade para ‘‘prestar solidariedade’’ à campanha pela reeleição de Cassio Taniguchi (PFL). ‘‘É uma demonstração de que ele tem todo o partido a seu lado’’, afirmou o senador catarinense.
Bornhausen foi enfático ao falar do acordo selado entre o PSDB do Paraná e o candidato do PT, o deputado estadual Ângelo Vanhoni. ‘‘É uma absoluta incoerência, porque o PT é o adversário do presidente da República e de seu partido. Ao demonstrar essa posição demonstraram incoerência e oportunismo. E essa decisão não tem o respaldo do PSDB nacional’’, salientou.
O senador explicou que para definir apoios no segundo turno, o PFL vai respeitar a posição daqueles que foram candidatos pelo partido e os acordos locais. ‘‘Mas nós temos uma posição muito clara. Nós não apoiamos o PT porque vetou coligações com o PFL e, portanto, não merece o nosso apoio.’’ Bornhausen afirmou que o PFL terá ‘‘muito prazer’’ em derrotar o PT em Curitiba e em Recife (PE), onde o prefeito Roberto Magalhães disputa a reeleição contra João Paulo (PT).
Na opinião do senador o resultado das eleições municipais não deverá influenciar diretamente na composição política para a disputa do próximo pleito, em 2002. ‘‘Eu acho que a eleição municipal tem seus efeitos mais sobre a sucessão estadual. Se você fizer uma análise de números, os partidos que apóiam o governo fizeram 61% dos votos, isso é uma uma vitória’’, afirmou ele, recomendando, no entanto cautela para 2002. Ele concedeu uma entrevista coletiva, acompanhado do governador Jaime Lerner (PFL) e do deputado federal, Rafael Greca (PFL), que também dão um reforço à campanha.
Bornhausen se disse ‘‘muito seguro da vitória’’ de Cassio Taniguchi. ‘‘Eu não acho que Curitiba vai trocar sua qualidade de vida e qualidade administrativa conquistada no curso desses anos pelo incerto.’’ O prefeito considerou ‘‘muito importante’’ o apoio do presidente nacional do PFL. ‘‘Isso significa que Curitiba é muito importante para que todos nós possamos, mais uma vez, dar sequência a todas as conquistas que cidade já teve’’, comentou.
Taniguchi não acredita que a manifestação pública de Bornhausen tenha sido feita com atraso. ‘‘O apoio sempre existiu. Mas, no segundo turno se caracterizaram determinadas situações onde é necessária uma ação mais eficaz da direção nacional.’’
O candidato à reeleição negou que o seu vice, deputado estadual Beto Richa (PTB), possa ser substituído por um político mais popular. ‘‘Não existe nenhuma verdade nisso. O deputado Beto Richa não só é popular, como também representa uma grande liderança. Jamais se cogitou isso.’’ Taniguchi discordou do comentário feito pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, de que teria faltado ‘‘emoção’’ e ‘‘calor humano’’ nos programas políticos do primeiro turno. ‘‘A emoção faz parte do nosso processo de comunicar-se com a população.’’
O prefeito garantiu que para o segundo turno não deverão acontecer mudanças radicais em relação ao direcionamento da campanha. ‘‘Muda sim o empenho e a mobilização maior de nossa militância no sentido de ganharmos a eleição.’’
O aumento do número de vereadores eleitos pelo PT – a bancada cresceu de três para seis – também não preocupa o candidato do PFL. ‘‘Nossa base de apoio são 25 vereadores dos 35 da Câmara. E, com certeza, mais alguns vereadores eleitos farão parte da nossa base de apoio.’’

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