Bornhausen apóia ruptura com aliados
Leandro Donatti
O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, apoiou ontem em Curitiba a decisão do diretório regional de quebrar a aliança política que reelegeu o governador Jaime Lerner em outubro do ano passado. Para Bornhausen, o momento é do PFL buscar o próprio fortalecimento. Quando um partido entra numa coligação, não perde sua identidade. Só posso elogiar a atitude do meu partido. Reações contrárias são naturais, disse.
Bornhausen está no Paraná desde anteontem, quando jantou com Lerner. Deslocou-se de Florianópolis (SC) com a tarefa de lançar o Projeto Paraná 2000, uma iniciativa do partido de lançar candidatos próprios nos 399 municípios do Paraná e eleger no mínimo 180 prefeitos. O dirigente pefelista estará hoje em Foz do Iguaçu, para um encontro de lideranças ao qual também confirmou presença o ministro Rafael Greca, de Esportes e Turismo. O encontro será realizado no Hotel Carimã a partir das 9 horas.
O respaldo de Bornhausen deu fôlego para o comando estadual avançar na campanha interna. E o presidente estadual João Elísio Ferraz de Campos deu um novo recado aos aliados. Desta vez, com o endosso também do restante da executiva, que assinou uma moção de apoio.
Não vamos fazer trocas em hipótese alguma. O PFL pode até fazer alianças, mas quer a cabeça de chapa, afirmou. As declarações de João Elísio foram endereçadas para o PPB e PSB, as duas primeiras siglas aliadas a reclamarem da ofensiva pefelista, alegando exclusão. O presidente do PFL sinalizou ainda que não está disposto a aceitar qualquer tipo de chantagem. Em Curitiba, temos o prefeito Cassio Taniguchi como candidato à reeleição. Não vamos ceder em outras cidades, para obter apoio, concluiu.
Para mostrar força, o PFL do Paraná anunciou ontem a filiação de dez prefeitos municipais: Elza Marques Gonçalves (Barbosa Ferraz); Claudio Gotardo (Boa Esperança); Luiz Bueno de Oliveira (Califórnia); Benjamin Marques (Godoy Moreira); João Batista da Silva (Lidianópolis); Mário Moribe (Lunardelli); Antônio Camilo (Manoel Ribas); Edgard Gonçalves (Rio Branco do Ivaí); Ivens Simão (São João do Ivaí); e José Lourenço Figueiredo (São Pedro do Ivaí).
Na passagem por Curitiba, Bornhausen disse que a política interna de fortalecimento não vale para o partido em todo o Brasil. Tivemos convenção nacional em maio e decidimos que vamos buscar o maior número de prefeitos, relatou. Segundo o dirigente, o leque de alianças a ser firmado depende de questões localizadas. São peculiaridades de uma eleição municipal, argumentou. Bornhausen falou ainda sobre a relação entre o PFL e o PSDB nacionais.
Temos uma meta de lançar candidato à presidência. Mas isso não afasta o compromisso que temos com a atual administração. O segundo mandato do presidente está começando, ponderou. Para Bornhausen, conflitos entre aliados são coisas que sempre vão ocorrer. O PFL está atrás do que decidiu em convenção, justificou. Se o PFL está em maior número é porque foi aprovado nas urnas, assinalou ao comentar a reforma política que tramita no Senado. A reforma não prejudica nem beneficia o PFL, emendou.
O presidente do PFL previu ontem dificuldades na aprovação da reforma tributária. Ninguém quer sair perdendo. Bornhausen anunciou que o PFL tem cinco juristas debruçados na proposta de um Código Nacional de Defesa do Contribuinte. Antes de se falar em reforma, o PFL defende que se discuta o pacto federativo, uma melhor distribuição de competências entre União, Estados e municípios, disse.





