Borba diz que provará inocência
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segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Único peemedebista envolvido nas denúncias do 'mensalão', o ex-líder na Câmara José Borba (PMDB-PR) renunciou ao mandato exatos 13 minutos antes de vencer o prazo fatal da abertura do processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Acusado de receber R$ 2,1 milhões do esquema de Marcos Valério Fernandes de Souza, Borba negou a existência dos repasses à CPI dos Correios, mas acabou incriminado com base no depoimento da gerente financeira da SMP&B, Simone Vasconcelos.
''Não tenho alternativa'', conformou-se Borba. ''Exerço o direito da renúncia de meu mandato parlamentar com a certeza de que provarei minha completa inocência nos tribunais isentos de emocionalismos e interesses políticos'', disse na carta-renúncia de 14 linhas. O documento foi entregue à Mesa Diretora da Câmara por seu advogado Roberto Bertoldo. ''Esse processo começou de trás para frente. O primeiro procedimento foi a sentença condenatória. O resto é só maquiagem'', disse o advogado ao formalizar a renúncia de seu cliente.
Em um sinal claro de que renunciou para salvar sua recandidatura no ano que vem, o deputado alegou que não teria oportunidade de apresentar plena e ampla defesa. ''Apesar de inocente, estarei submetido a um tribunal de exceção, onde a subjetividade e o arbítrio prevalecerão sobre as provas'', argumentou. Os cassados perdem os direitos políticos por oito anos, o que significa que, na prática, Borba só poderia disputar novo mandato federal em 2016 caso fosse condenado pelo plenário da Câmara.
''Apesar da insuficiência e inconsistência das provas, a CPI dos Correios, mediante relatório, incluiu meu nome, alegando de modo absurdo meu envolvimento com os lamentáveis fatos que determinaram uma das maiores crises políticas já vividas na história da República'', protestou Borba. Ele insistiu na tese de que a conjuntura de crise provoca atitudes e decisões emocionais, atropelando procedimentos regimentais e processuais, o que ''afugenta'' os mais elementares preceitos do direito.


