Borba devolve dinheiro da prefeitura
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
O deputado federal José Borba (PMDB) depositou anteontem R$ 113.807,30 em juízo, referente ao valor corrigido que recebeu da Prefeitura de Maringá. Em janeiro de 1999, ele foi beneficiado com um cheque do Banco do Brasil, de uma conta do município, no valor de R$ 92.160,00, depositado em favor dele no extinto Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC). O depósito foi feito no prazo final do IPC para garantir a aposentadoria dos deputados.
Borba alega que desconhecia a origem do dinheiro ou o esquema de desvio na prefeitura. Ele disse em depoimento ao Ministério Público que pediu um empréstimo ao ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi. Até então rico empresário dono de fazendas e helicópteros, afirmou Borba. O depósito foi feito diretamente na conta do IPC em favor do deputado.
No depoimento que prestou na Justiça Federal, em fevereiro, Paolicchi disse que fez o depósito em favor de Borba a pedido do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), com dinheiro do município. Como não tem certeza se o dinheiro é da prefeitura ou de Paolicchi, o deputado fez o depósito em juízo dentro de uma ação de consignação de pagamento, na 6ª Vara Cível.
Ontem mesmo a procuradoria geral da prefeitura já iniciou negociação para liberar o valor em favor do município. O procurador Alaércio Cardoso explicou que, em depoimento, Paolicchi garantiu que o valor depositado em favor de Borba saiu dos cofres públicos. Já contatamos com o advogado dele, que vai conversar com Paolicchi para tentarmos liberar o dinheiro o quanto antes.
Borba não foi o único a devolver recursos que foram desviados dos cofres públicos, no esquema comandado por Paolicchi. O ex-vereador Manoel Batista da Silva, o deputado Divanir Bras Palma (PST) e o Clube Atlético Paranaense já devolveram mais de R$ 70 mil. O rombo apenas nos últimos seis anos que o ex-secretário ocupou o cargo passa de R$ 100 milhões, segundo o Tribunal de Contas.
Paolicchi está preso desde o dia 8 de dezembro, aguardando julgamento da primeira ação da Justiça Federal que responde com outros três servidores. Eles são acusados de sonegação, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O Ministério Público Federal aguarda a sentença para propor uma nova ação com os mesmos teores, incluindo Gianoto. Os mesmos réus respondem por improbidade administrativa na Justiça comum.


