Borba afirma que Meger autorizou uso da senha
O deputado José Borba (PTB-PR) voltou atrás na sua versão inicial e responsabilizou o deputado Valdomiro Meger (PFL-PR) pela fraude na votação de emendas da reforma da Previdência. Os líderes do PFL e do PTB estão articulando uma forma de salvar o mandato dos deputados, que são alvos de processo de cassação. PFL e PTB têm, juntos, 131 deputados, número insuficiente para evitar a cassação, mas que pesa numa votação que exige maioria absoluta da Câmara. Para cassar o mandato de deputado são necessários 257 votos.
Borba (foto) disse ontem que Meger lhe pediu que votasse em seu nome e lhe forneceu a senha secreta de votação. Na quinta-feira passada, Borba havia assumido em nota oficial a total responsabilidade pelo pianismo (quando um parlamentar vota por outro ausente na sessão). Não haveria outra forma, afirmou Borba, ao ser questionado se Meger havia lhe dado a senha. Ele não quis explicar porque mudou sua versão.
A Mesa da Câmara pediu a cassação dos dois deputados depois que Borba foi flagrado votando por Meger. Mesmo depois da nova versão de Borba, Meger manteve sua declaração de inocência. Reafirmo o que disse em entrevista coletiva na semana passada, disse. Na ocasião, Meger negou que tivesse pedido que Borba votasse por ele.
A estratégia do PFL e do PTB é transformar a cassação do mandato em suspensão temporária de 30 dias. Os líderes do PTB, Paulo Heslander (MG), do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), e do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), estão entre os articuladores do movimento. A primeira vitória foi a escolha do relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), etapa preliminar do processo. Heslander vetou os nomes dos deputados Jarbas Lima (PPB-RS) e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e de qualquer outro da oposição. O indicado foi Sílvio Pessoa (PMDB-PE).
O plenário não aprova isso (cassação). A pena é desproporcional ao delito. A suspensão de 30 dias já é uma punição grave, afirmou Heslander. O líder discutiu o assunto ontem com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Ele criticou o pedido de cassação feito pela Mesa. Temo pela banalização da pena capital. Entre o preto e o branco há outras tonalidades, disse o líder.
Uma condição imposta pelo PTB para amenizar a pena foi dividir a responsabilidade entre os dois parlamentares. Inocêncio Oliveira não quis se manifestar sobre a possibilidade de reverter a cassação dos parlamentares. A Executiva do PFL vai decidir na quinta que posição tomar sobre o pedido de cassação de Meger. (AF)





