Brasília - Poucas horas depois de ter surpreendido o Congresso e o seu partido ao afirmar que discutia com o publicitário Marcos Valério a nomeação de peemedebistas para cargos no governo, o ex-líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), se reuniu, em um hotel de Brasília, com um grupo de parlamentares próximos a ele. Durante cerca de duas horas, e mostrando-se seguro da atitude que tomara, ele destacou, segundo relato de participantes da reunião, que agiu de acordo com sua consciência. ''Ele afirmou que está absolutamente tranquilo e que fez a coisa certa'', contou ontem um deputado do PMDB que participou da conversa.
Entre os que foram conversar com Borba após ele ter lido nota na qual explicou seus encontros com Valério - o nome dele aparece na agenda da ex-secretária do publicitário Fernanda Karina Ramos Somaggio -, estavam os peemedebistas Jader Barbalho (PA), Eliseu Padilha (RS), José Priante (PA), Josias Quintal (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN).
Alves confirmou o encontro. Disse que os deputados foram se reunir com Borba para lhe dar apoio. ''Foi um encontro de amigos. Fomos lhe dar um abraço'', afirmou. Segundo o deputado, foi na reunião que Borba decidiu se licenciar da liderança do partido. Em seu lugar, assume, em caráter provisório, o deputado Wilson Santiago (PB), que ficará na função até 10 de agosto, quando o PMDB decide seu novo líder. ''Teremos o mês todo de julho para construir um nome'', comentou Alves.
Ontem Borba não foi visto na Câmara pelos seus colegas de parlamento nem do partido. Ele não registrou presença nas sessões ordinária e extraordinária. Pela manhã, em trajes informais e de sandália, tomou café da manhã no hotel em que reside, com o colega de bancada, Edson Andrino (SC).
Também deputado do PMDB do Paraná, Moacir Micheletto ainda ontem se mostrava surpreso com a atitude de Borba. ''Ele deveria ter conversado com a bancada antes de ir ao plenário e ler uma nota daquelas. Ele colocou o PMDB em uma situação que não existe. Não existe mensalão no PMDB'', disse Micheletto, que conversou ''rapidamente'', e pelo telefone, com o ex-líder de seu partido. ''Borba não demonstrou arrependimento. E ressaltou que está à disposição para dar explicações sobre o que mencionou'', disse. ''Ele também está ciente de que poderá vir a ser chamado a depor na CPI ou no Conselho de Ética. Mas está tranquilo'', acrescentou Micheletto.

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