Bonilha teria usado 'laranjas' para disputar licitação na Acesf
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontou ontem indícios de fraude na concorrência pública nº 01/2006, realizada há dois anos pela Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) pela venda de 80 lotes no Cemitério São Paulo (Zona Leste). De acordo com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, em depoimento, quatro ex-assessores ligados ao ex-vereador Orlando Bonilha (PR) ou ao ex-superintendente da autarquia Osvaldo Moreira Neto (apadrinhado político do parlamentar), teriam confirmado que eles e outras pessoas próximas ao então presidente da Câmara foram usados para aquisição de ao menos 26 lotes licitados. Conforme o Gaeco, parte dos terrenos já teria inclusive sido comercializada por até o dobro do valor.
De acordo com o promotor Renato de Lima Castro, todos os ex-assessores que depuseram confirmaram a procura de Bonilha ou de Moreira Neto para que comprassem as áreas do São Paulo de forma a apresentarem, ''casualmente, o preço mínimo estabelecido no edital: R$ 2.887, sendo certo que em momento seguinte esse terreno poderia ser vendido pelo dobro''. Sobre essa venda, Castro garantiu que a Promotoria já dispõe, além dos depoimentos, de ''farta documentação'' que a comprove. ''Alguns terrenos já foram negociados, com recebimento de cheques, pelo então superintendente Osvaldo Moreira Neto. As provas de crime são bastante evidentes'', resumiu o promotor.
Desde anteontem, Castro e a promotora Leila Voltarelli ouviram quatro ex-assessores que se admitiram ''laranjas'' na licitação: Marcelo Mendes, Rosangela Aljarilla de Souza Paiva, Edvaldo Rodrigues dos Santos e Amarildo Felix Mendes, que arremataram lotes eles, e parentes. Rosangela já é citada na ação contra Bonilha na qual é acusado de ter cobrado parte do salário de assessores para mantê-los no gabinete. Outra ex-assessora que também foi citada nessa investigação e que, como Rosangela, aparece como compradora de dois terrenos na licitação, é Terezinha Vieira da Silva. Rubens Canizares, diretor da Câmara à época, e José Alfredo de Paula Junior, já então controlador do Legislativo - ambos, nas funções comissionadas indicadas pela Presidência; Paula Junior ainda foi contador das empresas de Bonilha - também estão no rol de vencedores do certame, publicado no Diário Oficial do Município de junho de 2006.
A iniciativa da Promotoria foi respaldada pelas investigações conduzidas pelo controlador do Município, Mílson Miríaco Dias. Teria sido dele, segundo a FOLHA apurou, a recomendação para parte dos ex-assessores fosse espontaneamente depor ao Gaeco. Quem também compareceu foi a presidente da comissão de licitação da Acesf à época da concorrência, Juracy Prandini, e o gerente de cemitérios da autarquia, Carmo Manoelito. O controlador disse que ''é prematuro'' falar em indícios de irregularidades na licitação; por outro lado, explicou que a venda direta de terrenos só é feita ''em casos de ocupação imediata, seja para enterro de restos mortais ou para corpo presente''.
Juracy negou ter visto irregularidades na licitação, se declarou ''surpresa'' em saber que havia pessoas ligadas a Bonilha e a Moreira Neto supostamente usadas na concorrência e admitiu que ''de vez em quando'' via o ex-vereador na Acesf, ''porque todo mundo sabe que (a superintendência) era cargo político''. Já Manoelito, alega o promotor, apresentou duas versões: ''Primeiro ele disse que as propostas dos licitantes não continham individualização do terreno, o que o próprio edital e os documentos contradiziam. Como isso ensejaria flagrante por falso testemunho, ele reconheceu que desconhecia como tudo foi realizado'', finalizou Castro.
Bonilha e Moreira Neto não foram localizados ontem à noite pela reportagem para comentar o assunto.


