O tumulto ocorrido na sessão da última terça-feira na Câmara de Vereadores de Londrina parece não ter rendido somente o desgaste à imagem da Casa. Até então liberado - apesar de o regimento interno estabelecer critérios para tal -, o acesso ao Plenário deve começar em breve a sentir os rigores da restrição das visitas, seja com a mera fiscalização de quem entra, ou, se necessário, com uso de seguranças.
A promessa é do presidente do Legislativo, vereador Orlando Bonilha (PL), que ontem classificou como ''truculência'' a manifestação comandada na terça pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). Motivo: a votação do projeto de lei do Executivo que possibilita um empréstimo superior a R$ 9 milhões, com a União, para informatização e modernização da Prefeitura. Para os sindicalistas, a matéria vai contra o argumento da administração municipal de que não é possível conceder reposição salarial à categoria.
De acordo com Bonilha, trata-se de ''disciplinar'' a entrada da população no prédio por meio da aplicação do regimento interno, e não retaliação. ''O artigo 120 do regimento diz que o piso inferior só deve ser frequentado por vereadores, assessores parlamentares, funcionários da Câmara e jornalistas credenciados. Quem não se encaixar nisso, que assista à sessão da galeria, onde o acesso é livre'', declarou.
Questionado sobre a razão de não ter feito valer a regra desde o início do ano, quando o tumulto deu o tom à votação do aumento da verba de gabinete, o parlamentar antecipou o que se esperar. ''Até agora fomos tolerantes, mas quem manda aqui somos nós. Se tiver de usar seguranças, vamos usar'', avisou, ressalvando que, antes disso, será feito um trabalho por meio de conversas e cartazes informativos.
O diretor da Câmara, Rubens Canizares, antecipou que está em estudo um sistema de controle da entrada que garanta mais segurança aos gabinetes e menos ''profissionais da pedição''. ''Como hoje é muito liberado, já tivemos problemas de furto nos gabinetes ou de gente que atrapalha o trabalho na Casa indo de gabinete em gabinete pedindo coisas. Tem que haver um controle'', defendeu. Ainda segundo o diretor, a idéia é tomar já na recepção o nome do vistante, o setor ao qual ele se dirigirá para que, na saída, ele apresente um visto colhido no local visitado.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, classificou a reação de Bonilha como ''autoritária''. ''Não fomos truculentos, pois em momento algum foi necessário força policial. Mas sabemos qual a prática política do vereador'', resumiu. Urbaneja assistiu à votação do projeto da plenária, juntamente com a ex-assessora financeira da campanha petista pela reeleição, Soraya Garcia.

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