O ex-vereador Orlando Bonilha (PR) negou ontem ter exigido propina de R$ 12 mil para viabilizar alteração em lei de zoneamento do Jardim Hedy (Zona Oeste), visando permitir a instalação da microcervejaria Fábrica 1. Bonilha disse, em interrogatório à juíza da 5 Vara Cível, Fabiana Bressan, que a articulação para a aprovação do projeto coube ao vereador João Dib Abussafi (PPS). A ausência no primeiro depoimento de Bonilha relacionado ao processo, em 20 de maio, levou à decretação de sua prisão preventiva. O ex-vereador se apresentou em 2 de junho, quando deflagrou as denúncias contra os ex-colegas de Câmara, e foi solto três dias depois.
A acusação de que Bonilha cobrou propina para agilizar a mudança de zoneamento foi feita ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em fevereiro deste ano, pelo ex-proprietário do terreno Nelson Dequech. A operação também é objeto de uma ação civil pública, que tramita na 8 Vara Cível.
''Eu não recebi nada dele, quem fez todas as tratativas e acompanhou nos setores da Prefeitura foi o Abussafi. Se houve dinheiro, tem que perguntar para ele'', afirmou ao sair do depoimento.
João Abussafi confirmou à FOLHA a articulação do projeto, mas frisou que toda a tramitação foi legal. ''O Nelson Dequech é um amigo de longa data e me procurou porque precisava da mudança. De imediato, nos reunimos com o prefeito e ele achou boa a idéia porque representava mais um centro turístico para Londrina'', afirmou. Segundo ele, o Executivo encaminhou o projeto de lei à Câmara e houve concordância dos órgãos técnicos. ''Foi tudo normal, sem propina'', disse.
A próxima fase do processo será o interrogatório das testemunhas de acusação, incluindo Nelson Dequech e o proprietário da cervejaria José Alves Durães, mas a data ainda não foi marcada. Após depor na 5 Vara, Bonilha se dirigiu ao Gaeco para prestar novas declarações, mas por falta de tempo o interrogatório foi adiado.(F.C.)

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