Bonilha encerra interinidade pensando na candidatura em 2008
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domingo, 10 de dezembro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O presidente da Câmara de Vereadores, Orlando Bonilha (PL), encerra hoje, no aniversário de 72 anos de Londrina, o período de nove dias que permaneceu interinamente como chefe do Executivo Municipal. Bonilha assumiu o comando da cidade no final da tarde do dia primeiro, quando o prefeito Nedson Micheleti (PT), e o vice, Luiz Fernando Pinto Dias (PT), se afastaram dos cargos para tratamento médico.
Nos cinco dias úteis da interinidade - apenas dez dias depois do final da greve dos servidores municipais que durou 106 dias -, Bonilha cumpriu uma extensa agenda, que incluiu uma vistoria das condições de segurança do Lago Cabrinha (Zona Norte), inauguração da reforma do Camelódromo, solenidade de lançamento da Galeria Benjamin, entrega de quatro caminhonetes à Acesf, assinatura da ordem de serviço para asfaltamento do distrito de Heimtal, no valor de R$ 1,5 milhão, e encaminhamento de um projeto à Câmara de Vereadores, doando um terreno do município para a 4Companhia Independente da Polícia Militar, na Avenida Saul Elkind (Zona Norte).
''Foi uma experiência tremenda. Nos poderes Legislativo e Executivo, as ações são totalmente diferentes. Aqui no Legislativo, fazemos as leis, fiscalizamos, às vezes trabalhamos com mais intensidade nos projetos para vê-los aprovados, mas não temos como executar. Nessa interinidade, vi que ali a gente tem muito mais condições de determinar, de executar, de convocar os secretários para colocarem a mão na massa e fazer realmente o que tem que ser feito para população'', relatou Bonilha. No final da tarde de sexta-feira, Bonilha convocou servidores para agradecer o apoio durante o tempo que exerceu a função de prefeito. ''Só tenho que agradecer todos os secretários, os servidores que nos ajudaram.''
Segundo Bonilha, ele nunca havia pensado em assumir a prefeitura de Londrina. ''No primeiro dia que assumi, disse que Deus tem me dado mais do que eu mereço. Não tinha na cabeça que um dia viria a ser prefeito de Londrina, uma pessoa vinda dos Cinco Conjuntos, da periferia, chegar à prefeitura, ainda mais uma pessoa que saiu de baixo como eu.''
A experiência no comando da cidade serviu de aperitivo e motivação para uma possível candidatura em 2008. ''Estou me credenciando para, no futuro, colocar o meu nome à disposição do meu partido. Ninguém é prefeito de si próprio, vai depender do grupo. Se acharem que tenho condições, que tenho certa aceitação, vou para a disputa. Sou uma pessoa que gosta de desafios. Essa experiência de nove dias que tive na prefeitura aumentou e muito essa disposição'', admitiu. Além da interinidade, Bonilha deixa este mês também a presidência da Câmara. O mandato de dois anos da Mesa Executiva se encerra nos próximos dias.
Após dez anos consecutivos de mandato na Câmara, Bonilha admite que já pensou em desistir da política. ''Nos meus dois primeiros anos de Câmara, acho que não tem nenhum vereador que apanhou como eu, que sofreu tanto como eu sofri. Cheguei a falar para o meu irmão que iria desistir'', afirmou. ''Andei entrando em algumas situações complicadas por falta de experiência e até fui induzido ao erro. Na época em que me elegi, o pessoal solicitou que eu indicasse pessoas para a Comurb, e fui induzido ao erro'', lembrou Bonilha se referindo à ação que tramita no Judiciário londrinense e que contesta a nomeação de cargos comissionados na extinta Companhia Municipal de Urbzanização (Comurb, hoje CMTU).
A motivação para continuar na política veio exatamente em um momento de crise. No início de 2000, Bonilha foi escolhido para presidir a Comissão Processante, que acabou cassando o mandato do ex-prefeito Antonio Belinati (atualmente no PP), por gastos excessivos na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI). ''Não pedi para ser o presidente daquela comissão. Éramos em 21 vereadores. Alguns até me substimavam. Quando fui escolhido no sorteio, senti uma força tremenda e disse que as pessoas iriam se surpreender como nosso trabalho e foi o que eu fiz. Foi aí que me despertou novamente (para a política). Consegui vencer aquela etapa e me reelegi vereador'', relatou.


