Bonilha é preso e alvo de processo na Câmara
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quinta-feira, 06 de março de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Bastante dinâmico, o dia de ontem começou com a expectativa de renúncia e manutenção dos direitos políticos de Orlando Bonilha (PR), mas terminou com o risco de cassação dos direitos políticos dele - e a consequente inelegibilidade - e a prisão do vereador no estacionamento da Câmara. Minutos depois de o Plenário admitir a denúncia por quebra de decoro parlamentar, o ex-presidente da Casa por duas gestões (2003/2004 e 2005/2006) recebeu voz de prisão dada por policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) quando deixava o prédio com seu advogado, Ronaldo Neves. O mandado fora expedido instantes antes pelo juiz da 2 Vara Criminal de Londrina, Délcio Miranda da Rocha, a pedido do Gaeco.
A solicitação da prisão preventiva de ontem foi a terceira da Promotoria contra Bonilha, que já havia se livrado em outras duas oportunidades daquelas formuladas em duas outras ações ingressadas na Justiça Criminal após a prisão em flagrante do ex-vereador Henrique Barros (sem partido), em janeiro passado. A primeira delas - que denuncia Bonilha, Barros, Osvaldo Bergamin (PMDB), Flávio Vedoato (PSC) e Renato Araújo (PP) pelos crimes de concussão e formação de quadrilha -, por sinal, já foi acatada pelo juízo. A segunda ação, apenas contra Bonilha, trata de suposta cobrança de propina que ele teria feito a um empresário da cidade para aprovar mudança de zoneamento.
Ontem, o vereador foi preso pela ação do Gaeco que o acusa de, em 2004, ter contratado assessores em troca de parte de seus salários. Pelos autos, ele teria exigido repasses de R$ 830 mensais que representavam, na ocasião, metade do salário de um comissionado.
Uma vez comunicado da prisão, Bonilha foi até o Gaeco e de lá, cerca de uma hora depois, partiu escoltado até o grupamento do Corpo de Bombeiros no Jardim Tókio (Zona Oeste), mesmo bairro da cervejaria que aparece em uma das ações em que é denunciado. Segundo o promotor do Gaeco Jorge Barreto e o delegado-adjunto da Polícia Civil, Nelson Águila, pontos como o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR, onde Barros permanecera quatro noites preso) foram cogitados, mas não tinham mais vagas. O prédio onde Bonilha ficou, um centro de treinamento de bombeiros, tem piscina, não tem celas e, à exceção do período noturno, de acordo com seu advogado, poderia contar com visitas de parentes, amigos e assessores ''de dois em dois, sem restrições''.
O promotor argumentou que o pedido de prisão ao Judiciário teve por base a manutenção da ordem pública. ''Seria uma forma de garantir que testemunhas ou vítimas não sofram pressões, e que outros inquéritos em que ele é investigado ou que possa trazer esclarecimentos não sejam prejudicados'', disse. Conforme Barreto, contudo, o motivo mais contundente levado ao juiz foram as constantes mudanças de domicílio apresentadas durante as investigações em curso.
''A residência fixa sem dúvida é um fator que reduziria a necessidade de ele ser preso, mas foram pelo menos quatro localidades e em nenhuma delas ele foi localizado'', justificou o promotor. Ele acredita que Bonilha deverá ser ouvido hoje também no inquérito que apura cobrança de propina contra o empresário Marcelo Caldarelli pela doação de um terreno público, em 2005, medida que tem outros nomes da Câmara na mira do Gaeco.
O advogado do vereador afirmou que ingressará ainda hoje com pedido de liberdade provisória agregado a pagamento de fiança, conjuntamente com pedido de habeas corpus. Ambas as medidas serão entregues direto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). ''A prisão é um jogo de holofotes. O MP chegou a nos propor a delação premiada, o que recusamos: a certeza é que no máximo segunda, terça-feira isso será revogado.''


