Pela primeira vez desde que o suposto pagamento de um ''mensalinho'' a vereadores de Londrina veio à tona, o autor da denúncia, o ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido), ficou frente à frente com o gerente geral da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildalmo Mendonça. Para a frustração do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a acareação entre os dois, realizada ontem pela manhã, não contribuiu para as investigações sobre o caso, que já completaram dois meses.
Os advogados de Gildalmo tentaram embargar a acareação, alegando que o ato seria um ''confronto estéril'' e ''imprestável como meio de prova'', já que Bonilha não teria compromisso com a verdade e nenhum dos interrogados seria obrigado a falar e possivelmente se auto-incriminar. O juiz Bruno Régio Pegoraro deferiu parcialmente o pedido, dando ao gerente o direito de permanecer em silêncio, mas não o dispensou de comparecer à acareação.
Após meia hora de ''confronto'', Bonilha deixou o Gaeco afirmando à imprensa que ratificou tudo que já declarara antes sobre o caso. ''Confirmei sim, na frente dele (Gildalmo). Ele negou como sempre, como outras pessoas também vêm negando'', disse.
Segundo a denúncia feita pelo ex-presidente da Câmara no início de junho, quando de sua prisão, Gildalmo seria responsável pela distribuição de uma espécie de mesada paga pela concessionária de transporte a 11 parlamentares, no valor de aproximadamente R$ 1,6 mil. Conforme depoimento de Bonilha ao Gaeco, a ''ajuda'', que estaria sendo entregue há mais de dez anos, seria para que os vereadores evitassem polêmicas sobre o transporte coletivo.
O gerente da TCGL também repetiu as declarações iniciais - todas no sentido de negar a existência do mensalinho. ''Mantive o que falei anteriormente'', resumiu. ''Cada um manteve a 'sua' verdade. A acareação não serviu para nada'', menosprezou o advogado de Gildalmo, Moacyr Corrêa Neto.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, admitiu que a acareação tinha o objetivo de dirimir dúvidas constatadas a partir dos depoimentos anteriores, mas que ''não houve avanço para a obtenção da verdade''. Segundo ele, os dois apenas ratificaram suas versões e não esboçaram reação diante das declarações alheias. ''Outras diligências estão sendo realizadas para comprovarmos se procede a existência de uma infração penal, ou não. A acareação serviu como um elemento a mais'', apontou.
De acordo com o delegado, mais pessoas ainda serão ouvidas, ''não somente vereadores, mas outras pessoas que tiveram seus nomes declinados no decorrer das investigações''. A reportagem levantou a possibilidade de os donos da TCGL serem ouvidos, já que a empresa seria beneficiária das supostas vantagens obtidas em troca da distribuição do mensalinho na Câmara. ''Não há nenhum indicativo de que eles poderiam, em tese, esclarecer esse fato específico. Vamos avaliar a conveniência da intimação dos mesmos.''

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