Bonilha e Araújo são novamente indiciados
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quarta-feira, 07 de maio de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O vereador afastado Renato Araújo (PP) e o ex-vereador Orlando Bonilha (PR) foram novamente indiciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), dessa vez por suposta tentativa de extorsão praticada em 2006 contra o então dono do terreno onde será instalado o shopping Londrina Norte, no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte de Londrina). É o sexto indiciamento de Bonilha neste ano, e o terceiro de Araújo. Os dois foram interrogados ontem pela manhã.
Conforme o delegado que preside o inquérito, Alan Flore, o empresário Fuad Bauab relatou em depoimento que teria procurado Araújo para pedir que ele apresentasse um projeto de lei mudando o zoneamento da área onde se localizava seu terreno. Bauab estaria em negociação com um grupo de São Paulo, e a medida se fazia necessária para a instalação de um grande empreendimento comercial no local. ''Segundo a versão do empreendedor, na ocasião o vereador teria exigido vantagem indevida para que o empreendimento fosse aprovado. Ele (Bauab) alega que se recusou a pagar e que posteriormente procurou o ex-vereador Orlando Bonilha, que teria exigido quantia ainda mais elevada'', explicou. A testemunha garantiu que nenhuma propina foi paga.
Ainda de acordo com o delegado, a informação repassada pelo empresário é de que Araújo teria pedido R$ 3 mil, valor que seria destinado ao pagamento de ''vários vereadores''. Nenhum outro nome, contudo, teria sido mencionado. Já a quantia requisitada por Bonilha consistiria em R$ 200 mil. Flore informou que, além do antigo proprietário do terreno, o inquérito já conta com depoimentos de outras pessoas envolvidas com o empreendimento que teriam confirmado a tentativa de concussão (exigência de vantagem indevida por agente público).
''São vários indícios que permitiram que fizéssemos o indiciamento formal'', assinalou, acrescentando que mais testemunhas ainda deverão ser ouvidas. No interrogatório de ontem, Bonilha se reservou ao direito de permanecer em silêncio. Araújo negou as acusações. O projeto de lei que beneficiou os empresários acabou sendo apresentado pelo Poder Executivo - sem nenhum pagamento, de acordo com o delegado - e foi aprovado no ano passado.
Na saída do Gaeco, os dois indiciados atribuíram a acusação a retaliações e perseguição política. ''Desconheço esses fatos, nunca tive contato ou participei de nenhum tipo de conversa com esse cidadão (Bauab). Mais uma vez meu nome foi envolvido de maneira indevida. São histórias que trazem para o Ministério Público (MP) para tentar escrachar com a gente'', alegou Bonilha.
Já Araújo admitiu que foi procurado pelo empresário, mas apontou que o crime teria sido cometido pela outra parte. ''É uma acusação leviana, irresponsável, por questões pessoais e políticas. Quando fui procurado, mandei que este 'empresário' procurasse o Executivo para elaborar o projeto e assim foi'', acusou.
O decano da Câmara disse ainda que foi com ''surpresa e uma mágoa muita grande'' que soube de duas novas investigações contra ele. Além da referente ao empreendimento da Zona Norte, o Gaeco investiga supostas irregularidades na aprovação de lei que beneficiou a Estância Bontempo - cujo projeto era de autoria de Araújo e o também afastado da Câmara Osvaldo Bergamin (PMDB). Este último inquérito está sob sigilo. ''Não sou vereador há 34 anos porque quero, até porque isso me dá grande prejuízo financeiro, familiar e de amizades. É porque represento a Zona Rural, uma comunidade sofrida'', desabafou, com lágrimas nos olhos, concluindo que irá processar todas as pessoas que o acusam ''levianamente''.


