Bonilha deve sofrer processo de cassação
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Orlando Bonilha (PR) deverá enfrentar sozinho um processo de cassação na Câmara Municipal de Londrina. É o desdobramento direto do relatório da Comissão de Ética Parlamentar (CEP), entregue ontem, que ao mesmo tempo livrou de qualquer punição os vereadores Osvaldo Bergamin (PMDB), Flávio Vedoato (PSC) e Renato Araújo (PP) acusados junto com Bonilha de cobrar propina para aprovação de três projetos de lei em 2007.
Iniciadas a partir da representação do jornalista Juarez Rezende Araújo, em 21 de janeiro, as investigações da CEP sobre os quatro parlamentares duraram 37 dias. O prazo final para entrega do relatório era 22 de março, mas o presidente da comissão, Roberto Kanashiro (PSDB), já havia anunciado que o grupo pretendia terminar os trabalhos o quanto antes para evitar mais desgaste à Câmara. O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), recebeu o documento no início da sessão de ontem dizendo-se surpreso. Não esperava que isso fosse ocorrer hoje, disse.
Em Plenário e na ausência de Bonilha, justificada a pretexto da doença de um parente Souza leu apenas os dois últimos parágrafos do relatório. Contra Bergamin, Vedoato e Araújo, o texto assinala que esta Comissão reputa não haver quaisquer indícios que justifiquem a continuidade de uma investigação, razão pela qual opinamos pelo arquivamento da representação. Em seguida, aponta que, quanto a Bonilha, não há como se estender o posicionamento acima dada a acusação expressa contida no depoimento inicial do (ex)vereador Henrique Barros.
O depoimento a que se refere o relatório é justamente aquele que deu início ao maior escândalo da história da Câmara de Londrina. Flagrado com R$ 9,9 mil recebidos de empresários da cidade, Barros foi preso e declarou ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que Bonilha seria o cabeça de um esquema que consistia em exigir vantagens econômicas de pessoas interessadas na aprovação de leis. No dia 16 de janeiro, Barros e os quatro citados foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por concussão e formação de quadrilha.
Em entrevista após a entrega do relatório, Kanashiro afirmou que a CEP recomendou a cassação somente de Bonilha porque as citações de Barros contra ele foram muito incisivas, envolvendo o vereador em todas as situações. O vice-presidente da comissão, Luiz Carlos Tamarozzi, seguiu a mesma linha: Os outros três vereadores foram citados numa única linha do depoimento. Já o Bonilha é citado várias vezes, dando todo o trâmite do processo que eles usaram para pegar o dinheiro, argumentou.
A CEP entendeu que Bonilha incorreu em conduta incompatível com o decoro parlamentar. A próxima etapa é uma reunião da Mesa Executiva, que irá encaminhar o indicativo à Procuradoria Jurídica e depois apresentá-lo em Plenário. Se os vereadores acatarem a denúncia, uma Comissão Processante será formada através de sorteio. Em no máximo 90 dias, ela terá que decidir pelo arquivamento do caso ou cassação do acusado.
O vereador tem autonomia para renunciar ao mandato antes que a denúncia seja apreciada, lembrou Souza. Foi o que fez Barros no dia 24 de janeiro, para escapar de uma cassação. O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, afirmou que seu cliente deverá enfrentar o processo. A denúncia contra Bonilha pode entrar na pauta de votações daqui uma semana.
Vedoato comentou que sempre teve a consciência tranqüila. Eu estava de férias (quando das denúncias de Barros), não fui ouvido pelo MP nem por ninguém. Agora só vou aguardar o desfecho disso na Justiça, disse. Bergamin, que também esteve ausente na sessão de ontem, afirmou que o resultado já era esperado. Pode virar minha vida do avesso, não vão encontrar nada. Sempre trabalhei pelo povo. Renato Araújo não quis comentar o assunto.


