Brasília - A ação de três bombeiros profissionais - o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - providenciou ao Palácio do Planalto uma trégua de 13 dias para tentar desmontar a comissão parlamentar de inquérito (CPI) do caso Waldomiro Diniz. Foi este trio que tomou a frente da linha de defesa do governo no Congresso, enquanto o PT se atrapalhava com a proposta de CPI ampla sobre financiamentos de campanhas e fazia provocações a adversários até então dispostos a ajudar o Planalto.
Bastou uma manobra regimental ardilosa para Sarney comandar o esvaziamento do Senado e esfriar os debates em torno do afastamento do chefe da Casa Civil, José Dirceu. Primeiro, Sarney incluiu na pauta de anteontem as duas medidas provisórias (MPs) que trancam as votações e só deveriam chegar ao plenário hoje. Em seguida, ele convocou nova sessão deliberativa apenas para o dia 2, antecipando, na prática, os feriados de carnaval.
Resultado: desde ontem à noite, todos os senadores ficaram liberados para viajar, uma vez que as ausências em sessões não deliberativas não acarreta nenhum prejuízo salarial. ''Isso é que é profissional da política'', elogiou um importante dirigente do PT, para concluir: ''Graças a Deus, ele nos ajuda, porque os amadores do PT só criam problemas para o governo.'' O petista foi um dos que testemunharam a fúria de Sarney contra a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), ao ser informado de que ela defendera que a CPI ampla incluísse o caso da empresa Lunus, de propriedade da filha dele, a senadora Roseana Sarney (PFL-MA).
Para contornar as dissidências do PMDB, José Sarney tem atuado em dobradinha com Calheiros. Tudo para evitar que os peemedebistas insatisfeitos com maus tratos do governo assinem o requerimento em favor da CPI do caso Diniz. Ontem, houve uma baixa com a assinatura do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Ainda assim, Calheiros conseguiu segurar o senador Maguito Vilela (PMDB-GO), que amargou o desprezo do Planalto diante da indicação para ministro e líder do governo no Congresso e agora sofre com a aproximação entre o PT goiano e os adversários locais do PSDB.

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