Uma bomba foi arremessada contra uma janela do diretório do PSDB, mas acertou uma parede e pegou fogo, deixando uma marca na parte superior do edifício
Uma bomba foi arremessada contra uma janela do diretório do PSDB, mas acertou uma parede e pegou fogo, deixando uma marca na parte superior do edifício | Foto: Fotos: Divulgação



Curitiba - Os diretórios do PSDB e do PT, em Curitiba, foram atingidos por bombas caseiras de coquetel molotov na madrugada desta quinta-feira (25). O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), unidade de elite da Polícia Civil, está investigando os casos. Nenhum suspeito foi identificado. Os dois diretórios estão distantes cerca de três quilômetros.

O primeiro atentado foi na sede do PSDB, no centro, por volta das 4h. Segundo o partido, quatro pessoas vestidas de preto atiraram um coquetel molotov contra o prédio. A bomba foi arremessada contra uma janela, mas acertou uma parede e pegou fogo, deixando uma marca na parte superior do edifício. Um vidro também foi quebrado. Não houve outros danos materiais.

Ainda de acordo com o PSDB, a ação foi interrompida por seguranças da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que fica em frente ao diretório, que perceberam a movimentação e afugentaram os vândalos.

Logo em seguida, às 4h20, duas pessoas encapuzadas atiraram bombas contra o diretório do PT, que fica no bairro São Francisco, a cerca de três quilômetros da sede do PSDB. Uma das bombas se chocou contra a parede externa e explodiu. A chama ficou acesa por cerca de 20 minutos. A outra bomba quebrou uma vidraça e caiu dentro de uma sala, sem causar maiores danos.

É o quarto atentado desde março do ano passado no diretório do PT. Outras duas situações aconteceram em março do ano passado, época em que foi instaurado o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, também houve arremesso de bombas e o prédio foi pichado. Nos mesmos dias a sede da Central Única dos Trabalhadores também foi atingida.
"Nos dois casos, os atentados devem ter sido cometidos por pessoas com certa capacidade de ignorância e alienação, que se colocam contra partidos políticos", comenta o presidente do PT no Paraná, Doutor Rosinha. Ele afirmou que o diretório terá reforço da segurança, provavelmente, com a instalação de uma grade. Rosinha descarta contratar seguranças privados, que já costumam ser utilizados em ocasiões específicas em que pode haver conflito, como quando o ex-presidente Lula foi ouvido em audiência da Lava Jato em Curitiba.

Um coquetel molotov se chocou contra a parede externa do diretório do PT e explodiu;  o outro quebrou uma vidraça e caiu dentro de uma sala sem causar maiores danos
Um coquetel molotov se chocou contra a parede externa do diretório do PT e explodiu; o outro quebrou uma vidraça e caiu dentro de uma sala sem causar maiores danos



REFLEXO DE BRASÍLIA
Os ataques ocorreram poucas horas após o conflito entre manifestantes e policiais militares em Brasília, que deixou mais de 40 feridos. Para o cientista político Doacir Quadros, professor da Uninter, a crise política desencadeada após as denúncias que envolvem o presidente Michel Temer (PMDB) aflorou os ânimos da população e o resultado são as manifestações de rua, inclusive com atos de vandalismo.
"Observamos que, no caso de governantes que passam a ter baixo apoio no Congresso e da população e que estão envolvidos em escândalos, o último passo da crise é nas ruas. É o que começamos a presenciar desde ontem e que se estende para além do Distrito Federal", acredita o professor.
Como os fatos são recentes, ele considera arriscado fazer uma ligação entre os ataques a PT e PSDD, partidos que lideram a polarização política no Brasil desde a redemocratização. "Pode ser coincidência, ontem foi um dia conturbado. Temos que esperar", pontuou.
Em nota, o PT "lamenta e repudia o ódio e a intolerância que motivam tamanhos desrespeito, barbárie e violência, bem como a impunidade e a permissividade que fazem com que ela se repita e não cesse". Continua o texto: "A violência cometida contra o PT hoje, uma vez impune, uma vez não identificados ou se não forem responsabilizados os autores, amanhã poderá se voltar contra qualquer outro segmento, indivíduos e setores da sociedade".
Também em nota, assinada pelo presidente do PSDB no Paraná, Ademar Traiano, o partido afirmou que "lamenta os fatos que atentam contra a democracia, principalmente num momento em que se requer muito equilíbrio e ponderação no nosso País".

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