Não intervenção

Afinal, o bom senso imperou e está, em princípio, afastada a hipótese de intervenção militar na Venezuela, que a camuflagem da ajuda humanitária não impedia, conforme decisão do Grupo de Lima, a despeito das posições mais duras dos norte-americanos. Firma-se o princípio, há anos, cultivado por nossa chancelaria, da autodeterminação e não intervenção. Pressões políticas e diplomáticas persistirão na linha de volta à democracia naquele país que pode, de repente, transformar-se num polo da guerra fria dos nossos tempos, com potências como a China e a Rússia em postura de contenção à derrubada de Maduro, como fazem em outros cenários.

Percebe-se por aí que operações militares hoje em dia podem assumir dimensões ciclópicas, como se deu na guerra civil da Síria. O xadrez da geopolítica, conquanto bem estruturado, não tem prevenção contra efeitos bélicos devastadores. O exercício do momento é o da cautela, tanto política quanto diplomática. Levar o diálogo à exaustão é imposição civilizada, fora disso é apenas fanatismo.

Ofensiva

Ratinho Junior percebeu que o deslanche da economia regional depende de uma revisão geral de nossa infraestrutura com a tese maior da biooceânica como ação geopolítica de integração latino-americana e a inserção das vias estaduais no leilão federal marcado para 2020. Objetivo é submeter 3.500 km dessas rodovias ao sistema pedagiado, agora sem roubos e propinas, e a um custo 50% menor, aí se incluindo os contornos de Londrina, Cascavel e Ponta Grossa por seu posicionamento de traço fortemente estratégico. Investimento, no momento atual da economia brasileira, com sinais de melhora, mas com resíduos recessivos, soa como o maná bíblico de uma nova era.

De novo?

No Estado Novo de Getúlio Vargas tínhamos no Ginásio Paranaense cerimônias cívicas tanto do hasteamento quanto do arriamento da bandeira nacional. E havia o canto do hinário com o nacional, o da bandeira e o da Independência. Desfiles eram o momento maior das celebrações e em setembro havia dois seguidos, o da raça, dia 4, e o da Independência, dia 7.

O ministro da Educação - aquele que se referiu ao brasileiro como canibal - pede às escolas que promovam sessões cívicas com alunos, professores e funcionários cantando o hino e que essas manifestações sejam filmadas. Essa identificação forte hoje não é a mesma, ainda que esteja mais presente nos jogos da seleção brasileira. Não temos uma tradição densa como a dos americanos nesse particular, traço cultural, o que poderemos retomar com a sugestão. Camisa verde e amarela assenta bem, ajusta-se aos nossos sentimentos, mas não pode, de forma alguma, confundir-se com camisa de força.
Que há escassez de valores cívicos não se discute.

Dossiês

Sabe-se agora que um dossiê da Receita Federal sobre o ministro Gilmar Mendes, aquele que o levou e outros ministros a protestos, teria chegado à Lava Jato. Isso aí é que nem sarna quando começa a coceira. Não é o indicado, já que procedimentos do fisco, seja contra quem for, devem ser cercados de extrema discrição e censura. É, no entanto, o quadro nacional dos vazamentos, que se deram ao longo da Lava Jato, e portanto operam como se tudo valesse no choque de retaliações como uma espécie de majestosa jurisprudência.

Feminismo

Não basta o episódio burlesco das candidatas laranja no malicioso atendimento à questão das cotas eleitorais para mostrar como a questão da mulher, em que pese toda a melhora havida na legislação e medidas protetivas, ainda não ganhou a expressão devida. Recente pesquisa do Datafolha revela que 52% das mulheres não denunciam seu agressor e muito menos buscam apoio. Não é o que aparenta o registro da comunicação - como se percebe no destaque à causa que tv, rádio e jornais dão - e isso já se nota nas delegacias da mulher em que em boa parte das vezes segue-se o arrependimento da denúncia de maus tratos. É tema também de psicanálise ante a constatação da sondagem.

Sutileza

Doria, governador de São Paulo, provável candidato à sucessão de Bolsonaro, estimulou na semana a deputada paranaense Joice Hasselmann a tentar a prefeitura paulistana e fez isso distante do atual mandatário, Covas, com quem, como também se dá com os outros, convive em troca de sutilezas do gênero.

Folclore

O juiz da Operação Patrocínio pediu afastamento do caso que envolve o prefeito e mais 18 pessoas em Rolândia após denúncia do Ministério Público estadual, por suspeição do caso depois de sua filha ter sido nomeada. O nome da operação é uma redundância tanto na regra como na exceção.

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