Simpatizantes acompanham discurso de Bolsonaro em sua casa, no Rio: "Meu governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade", disse
Simpatizantes acompanham discurso de Bolsonaro em sua casa, no Rio: "Meu governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade", disse | Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo


São Paulo - Jair Messias Bolsonaro, 63, é o novo presidente do Brasil - o 42º da história e o 8º desde o fim do regime militar (1964-85) que ele admira e cujo caráter ditatorial relativiza. O deputado do PSL-RJ derrotou neste domingo (28) o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, do PT.

Bolsonaro liderou a mais surpreendente disputa eleitoral desde o pleito de 1989 a partir de agosto, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril por corrupção, foi declarado inelegível. Haddad, plano B do PT que ocupava estrategicamente a vice de Lula antes de ser lançado candidato, conseguiu chegar ao segundo turno, mas nunca ameaçou a liderança do polêmico deputado.

Com 99,88% dos votos apurados em todo o País até o fechamento da edição, o capitão da reserva teve 57.765.131 votos (55,15% dos válidos) contra 46.988.083 (44,85%) de Haddad. As abstenções somaram 31.331.995 votos (21,21%), índice similar ao do primeiro turno, enquanto houve 8.603.858 votos nulos (7,43%) e 2.485.623 brancos (2,15%). No Paraná, a vitória de Bolsonaro foi expressiva: 68% a 31% com 100% das urnas apuradas. O índice foi ainda maior em Londrina, onde ele obteve 80,42% dos votos válidos (230.473), contra 19,58% (56.111) do petista.

Em Londrina, a Avenida Higienópolis foi o local de concentração onde os eleitores de Bolsonaro festejaram a vitória
Em Londrina, a Avenida Higienópolis foi o local de concentração onde os eleitores de Bolsonaro festejaram a vitória | Foto: Anderson Coelho



LIBERDADES
Em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito, feito no início da noite deste domingo (28), Jair Bolsonaro comprometeu-se a respeitar a Constituição e assegurou que seu governo respeitará as liberdades individuais. Ao encampar um discurso de unidade, Bolsonaro também se comprometeu a enxugar o Estado brasileiro, eliminar o dEficit público e recuperar a imagem do País no exterior.

"Meu governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade", afirmou Bolsonaro. "Este é um País de todos nós, brasileiros natos e de outras nações." O presidente eleito também fez um chamamento aos agentes políticos que queiram aderir ao governo. "Neste projeto que construímos, cabem todos aqueles que tenham o mesmo objetivo que nós."

Ao falar sobre a necessidade de um ajuste nas contas públicas, Bolsonaro disse que "o deficit público primário deve ser eliminado o mais rápido possível. E se comprometeu a reduzir o inchaço da máquina pública. "O governo dará um passo atrás, reduzindo estrutura, cortando benefícios e privilégios", disse o presidente eleito.

A festa em Londrina avançou a noite assim que a vitória de Bolsonaro se consumou
A festa em Londrina avançou a noite assim que a vitória de Bolsonaro se consumou | Foto: Ricardo Chicarelli



Ao reforçar o discurso de renovação, Bolsonaro ressaltou que o País hoje precisa de "mais Brasil e menos Brasília". E prometeu também "recuperar" a imagem do Brasil no exterior, atacando a política externa adotada por seus antecessores. "Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais sui generis a que foram submetidos nos últimos anos", afirmou o deputado. "Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso Brasil."

Antes de ler seu discurso de vitória, Bolsonaro fez uma oração, atendendo a um pedido do Magno Malta (PR-ES). O presidente eleito também agradeceu aos médicos que o trataram e aos hospitais que o atenderam após a facada que sofreu em Juiz de Fora (MG), em setembro.

Os bolsonaristas paulistanos lotaram a Avenida Paulista, emn frente ao Masp, para comemorar a derrota petista
Os bolsonaristas paulistanos lotaram a Avenida Paulista, emn frente ao Masp, para comemorar a derrota petista | Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo



Ele será o 16º presidente militar da história e o 3º a chegar ao poder pelo voto direto (leia na página 4). Os outros foram Hermes da Fonseca, em 1910, e Eurico Gaspar Dutra, em 1945.

Dono de retórica agressiva e colecionador de polêmicas que lhe valeram pechas que vão de radical a fascista, é o primeiro eleito desde Fernando Collor (1989) a se declarar abertamente de direita.

Suas credenciais democráticas são questionadas constantemente, uma novidade em pleitos presidenciais também desde Collor. Há uma semana, disse que seus adversários deveriam ser presos ou exilados, enquanto vídeo no qual seu filho Eduardo citava ser fácil fechar o Supremo Tribunal Federal em caso de questionamento de uma vitória do pai circulava.

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