Bolsonaro perdeu a guerra da lipoaspiração ministerial
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quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Enxugar é complicado
Bolsonaro confessa que já perdeu a guerra da lipoaspiração ministerial, pois eles já passaram dos 15, tido como parâmetro. Ratinho Júnior está empenhado em igual objetivo embora não tenha fixado um número e também terá dificuldades para fazê-lo. Entre as dificuldades há o ajuste de forças e o fator governabilidade.
Muitas coisas poderão no caso da União esbarrar no veto das bancadas, que é o filtro adotado em prejuízo dos partidos, mas buscando expressão política nos grupos temáticos, algo que definia o quadro que desaguou na ruptura de 1964, tempo em que pela radicalização as frentes tinham densidade dominante entre a Ação Democrática, de traço liberal e anti-Jango, e a Frente Parlamentar Nacionalista. Mesmo com um dos ministérios mais bem formados, o governo caiu.
O cenário de hoje é botar abaixo toda a padronagem estabelecida, derrubar tabus e ainda preceitos sistêmicos das últimas décadas e que de Itamar Franco para cá prevaleceram. Há quem veja o caos já que esse consenso se firmou na mais longa tradição democrática posta sob choque nos agitos de rua de 2013 acionados por uma pendência em torno de tarifas de ônibus como singelo pretexto e que, aprofundada, levou ao impeachment de Dilma, posto que sua derrota em Minas Gerais tenha mais validade democrática e talvez uma correção no ato judicial que preservou seus direitos políticos.
Ratinho inovou ao aproveitar um parlamentar não eleito para ser o seu líder, ora recuperando seu posto com a designação de deputados para a composição do governo e confia nos bons resultados da transição que conta com a governadora Cida Borghetti, que esteve nesta quarta (28) em Brasília com o futuro presidente, tratando de interesses da região.
Voyeurismo redundante
Pior do que aquele ato de nervosismo, quando o prefeito ameaçou demitir funcionários pelo fato de seu pai, deputado Nelson Justus, ter votação abaixo do esperado em Guaratuba, foi agora a revelação de que o sistema de vigilância por imagem estava sendo usado por agentes municipais para "frestar" as banhistas. A notícia teve destaque nacional e mostrou a forma primária do uso de um sistema de vigilância montado para conter abusos e nunca, de forma alguma, para praticá-los. Agora com a identificação dos autores da absurda façanha, tanto a polícia judiciária como o Ministério Público estão em cima do assunto.
Natal promocional
A parada do Natal do Batel, cuja coreografia está a cargo de Carlinhos de Jesus, já testada e com invulgar sucesso, é uma prova de que se pretende consolidar o evento pelo fato de figurar no calendário turístico nacional com novas atrações além da exibição artística do Palácio Avenida, cantatas, encenações em corais e teatro e agora até uma roda gigante à frente da Universidade Federal. Até o momento, a resposta dos empresários na iluminação de fachadas e vitrines e dos moradores nas edificações não tem sido expressiva.
Há, no entanto, uma arregimentação para obter o máximo em eventos e a autoridade municipal colocou árvores luminosas no centro e em logradouros como o Parque Barigui.
De outro lado junta-se a tudo isso a previsão da Associação Comercial de que o comércio de rua (fora dos shoppings) crescerá mais de 3% e com um gasto médio por pessoa da ordem de R$ 339.
Refis
As entidades conservadoras apresentaram um substitutivo à proposta de Refis da governadora e esta o acatou e encaminhou ao legislativo estadual. Trata-se do parcelamento de dívidas fiscais acumuladas principalmente do ICMS em até 180 meses. O fato é que levantamento tem demonstrado aumento da arrecadação em 7% e simultaneamente da despesa em ascensão em 8%. Daí a expectativa em torno das ações da futura gestão no compromisso de fazer mais com menos.
Lava Jato
O TRF4 confirmou nesta quarta (28) a pena de oito anos, dez meses e 28 dias a José Dirceu, já condenado em outro procedimento e liberado pelo STF para respondê-lo em liberdade, posto que condenado em segunda instância, conforme jurisprudência assentada que o manteria na cadeia, tema que deve voltar a exame em 2019. Na justiça federal tivemos na semana a audiência do empresário Abílio Diniz, indiciado na operação Trapaça, um desdobramento da Carne Fraca. Abílio presidia o conselho da BRF até o início do ano e estaria envolvido na ação de executivos que montaram grupos de WhatsApp no acerto sobre ações para abafar a divulgação em 2015 da contaminação de 5.600 toneladas de carne de frango.
O modelo de atuação da Lava Jato será empregado no Ministério da Justiça por Sergio Moro que montará sua equipe na base da força tarefa que atuou em Curitiba como já se viu pelos nomes designados em várias das posições estratégicas.
Folclore
Um dos fortes da Boca Maldita em Curitiba era o uso frequente, nos tempos de chumbo dos militares, de xerox de documentos extraídos da Comissão Geral de Investigações, CGI, e até de IPMs, o que revelava fragilidades do sistema.


