O deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) deixará de ter o apoio do partido para conseguir conquistar a presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara. Mesmo que não seja indicado pelo PPB, Bolsonaro anunciou a manutenção da candidatura. A eleição será hoje e os partidos de oposição estão pressionando o PPB a não bancar a candidatura de Bolsonaro pelo perfil do deputado, capitão da reserva do Exército e defensor da pena de morte.
‘‘Sou candidato e manterei essa decisão até o fim, mesmo sem apoio do meu partido’’, garantiu o deputado ontem, depois de saber que o líder do PPB na Câmara, deputado Odelmo Leão (MG), pretende indicar para o posto o deputado Eraldo Trindade (PPB-AP).
Leão negou ter tomado qualquer decisão por causa da pressão da oposição, sobretudo dos parlamentares do PT, que pretendiam manter o comando da comissão - presidida anteriormente pelos deputados Nilmário Miranda (PT-MG) e Pedro Wilson (PT-GO). Para Leão, o critério de distribuição do comando da comissão entre os deputados do PPB foi regional. ‘‘Não há nenhuma restrição de minha parte ao Bolsonaro; ele é um bom nome, mas tenho apenas três vagas para 80 deputados, e pretendo distribui-las, como sempre fiz, em comum acordo com as bancadas regionais’’, anunciou Leão.
Centro da polêmica pelas posições radicais - chegou a ser ameaçado de cassação pela Câmara em 1993 por ter defendido o fechamento do Congresso - Bolsonaro faz planos para comandar a comissão. ‘‘Vou defender direitos humanos, por exemplo, das pessoas que foram vítimas daqueles presos que foram mortos no Carandiru’’, diz. ‘‘Todo mundo só fala dos sujeitos que foram mortos, mas, e os coitados que tinham sido vítimas deles’’, atiça o deputado.

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