Bolsonaro nomeia para a PF indicado de Ramagem, barrado pelo Supremo
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terça-feira, 05 de maio de 2020
Daniel Carvalho e Talita Fernandes/Folhapress 
Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nomeou Rolando Alexandre de Souza para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A escolha foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta segunda-feira (4). O termo de posse foi assinado em uma cerimônia reservada no gabinete de Bolsonaro, cerca de dez minutos após a publicação - inicialmente, o Palácio do Planalto havia divulgado que o ato tinha ocorrido às 10h, mas, depois, alterou o horário da agenda para 9h50. Pouco depois, Rolando deixou o Planalto e afirmou que já estava indo para a sede da Polícia Federal.
Auxiliares de Bolsonaro disseram que a posse-relâmpago foi para agilizar o processo e não deixar a PF sem comando por mais tempo.

Na semana passada, quando o escolhido para o cargo era Alexandre Ramagem, amigo da família Bolsonaro, o processo foi mais lento. A nomeação de Ramagem foi publicada no Diário Oficial da União no dia 28 de abril.
A posse aconteceria na tarde do dia seguinte em uma cerimônia grande e pública, mas, horas antes, pela manhã, o ministro Alexandre de Moraes , do STF (Supremo Tribunal Federal), barrou o nome do escolhido de Bolsonaro.
No domingo (3), nos protestos contra o STF e o Congresso, Bolsonaro avisou que nomearia o novo diretor.
O novo diretor-geral do órgão foi indicado a Bolsonaro pelo próprio Ramagem. Rolando é atualmente secretário de Planejamento da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), comandada por Ramagem.
A escolha é vista internamente como uma medida temporária. O presidente ainda tem esperança de encontrar uma saída para nomear o amigo de sua família para o cargo máximo da PF.
De acordo com auxiliares do presidente ouvidos pela reportagem, Bolsonaro foi aconselhado a ter pressa para escolher um novo nome para o órgão após a decisão de Moraes.
A liminar do ministro do STF contra Ramagem se baseou, principalmente, nas afirmações de Bolsonaro de que pretendia usar a PF, um órgão de investigação, como produtor de informações para suas tomadas de decisão.
O comando da PF foi o estopim para a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Bolsonaro demitiu Maurício Valeixo, escolhido por Moro, da diretoria-geral da PF. Moro deixou o cargo acusando Bolsonaro de querer interferir na atuação da polícia.
TROCA
O novo diretor-geral da Polícia Federal decidiu trocar a chefia da superintendência do Rio de Janeiro, foco de interesse da família de Jair Bolsonaro. Carlos Henrique Oliveira, atual comandante do estado, foi convidado para ser o diretor-executivo, número dois na hierarquia do órgão.
Sergio Moro disse em sua despedida que Bolsonaro queria trocar o diretor-geral para interferir politicamente na polícia. O ex-ministro afirmou também que o presidente queria mudanças no Rio e em Pernambuco.


