Bolsonaro foi campeão de doações privadas com quase R$ 90 milhões arrecadados
Financiamento empresarial aos candidatos está proibido desde 2015, mas executivos continuaram doando como pessoas físicas
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domingo, 06 de novembro de 2022
Financiamento empresarial aos candidatos está proibido desde 2015, mas executivos continuaram doando como pessoas físicas
Lucas Marchesini e Ranier Bragon/ Folhapress 
Brasília, DF - O financiamento privado das eleições de 2022 teve como maior beneficiário o presidente Jair Bolsonaro (PL), que declarou à Justiça ter recebido quase R$ 90 milhões. O valor representa 7% de todas as doações da eleição e 82% de toda a receita informada pela campanha do chefe do Executivo.

O financiamento empresarial aos candidatos está proibido desde 2015, mas o poderio econômico continua influenciando o pleito – em menor grau – por meio da doação, como pessoa física, de empresários e executivos. O primeiro no ranking dos maiores doadores de campanha de 2022 é o empresário Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da gigante de energia, açúcar e álcool Cosan, que já havia sido o maior doador de 2018.
O valor repassado pelo empresário nas duas eleições é semelhante, R$ 7,4 milhões em 2022 e R$ 7,5 milhões em 2018. Ometto doou recursos a concorrentes de vários partidos, incluindo o PT, mas os valores mais expressivos foram para políticos de centro e de direita que compuseram o arco de alianças de Bolsonaro. O maior valor foi para o Republicanos, partido que integrou a coligação do presidente da República e venceu as eleições para o Governo de São Paulo, com Tarcísio de Freitas.
O governador eleito em São Paulo foi o candidato que recebeu a maior doação direta de Ometto, de R$ 200 mil. Outros três ex-ministros de Bolsonaro também receberam dinheiro do empresário: Tereza Cristina (PL), eleita para o Senado por Mato Grosso do Sul, Onyx Lorenzoni (PL), derrotado ao tentar o Governo do Rio Grande do Sul, e Ricardo Salles (PL), eleito deputado federal por São Paulo.
Bolsonaro recebeu R$ 1 milhão do empresário por meio de uma doação dele para o diretório do PP na Paraíba, que repassou o dinheiro para a campanha do presidente. A Cosan afirmou que "as doações eleitorais feitas por Rubens Ometto Silveira Mello são realizadas em caráter pessoal e seguem as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral e demais normas aplicáveis".
De acordo com a lei, pessoas físicas podem doar aos candidatos até 10% dos rendimentos brutos que obtiveram no ano anterior à eleição, o que permite cidadãos com altos ganhos direcionarem volumes consideráveis para as campanhas.
O sistema de divulgação da prestação de contas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que houve injeção de R$ 1,2 bilhão em recursos privados nas campanhas deste ano, contra R$ 1,1 bilhão em 2018 – uma queda de 14%, em valores atualizados. O segundo maior doador individual foi Frederico Gerdau Johannpeter, da família que controla a Gerdau, com R$ 6,9 milhões. Ele também direcionou a maior parte do dinheiro para candidatos do arco de alianças de Bolsonaro, com destaque para o PL do Rio Grande do Sul (R$ 3,9 milhões), que bancou a candidatura de Onyx, e para Tarcísio de Freitas (R$ 1 milhão). O empresário não está entre os 100 maiores doadores de 2018. Ele não quis se manifestar.


