"Uma pessoa da qualificação do Moro se realizaria dentro do STF. Seria um grande aliado da sociedade brasileira”, disse Bolsonaro
"Uma pessoa da qualificação do Moro se realizaria dentro do STF. Seria um grande aliado da sociedade brasileira”, disse Bolsonaro | Foto: Rodrigo Felix Leal/ANPr

São Paulo - O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (12), que, na primeira vaga que abrir no STF (Supremo Tribunal Federal), espera cumprir o compromisso de indicar o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. "Se Deus quiser, cumpriremos esse compromisso", disse, em entrevista ao programa 'Domingo Esportivo', da Rádio Bandeirantes.

"Uma pessoa da qualificação do Moro se realizaria dentro do STF", afirmou. Bolsonaro disse acreditar que Moro seria um "grande aliado da sociedade brasileira dentro do STF".

Sobre o pacote anticrime apresentado ao Congresso pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Bolsonaro afirmou esperar que seja aprovado, mas ponderou que não é "dono da pauta" do Legislativo. "Maia (Rodrigo Maia) é dono da pauta na Câmara e Alcolumbre (Davi Alcolumbre) é dono da pauta no Senado", argumentou. "Não posso exigir, interferir, a bola (agora) está com o Rodrigo Maia."

Ele declarou ainda que o PT pode não querer julgar o projeto anticrime de Moro, que, de acordo com ele, pode "retardar" a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da prisão.

O presidente afirmou também que gostaria que a "grande mídia" dissesse a ele como formar uma base parlamentar no Congresso. De acordo com ele, até o governo passado, grandes partidos se reuniam com o presidente, que distribuía cargos na administração federal e na presidência de bancos e estatais.

"A base era feita dessa maneira, o ingrediente era esse, mas não falam na mídia", afirmou. Bolsonaro disse que a política do "toma lá dá cá" não deu certo. "Tem ex-presidente preso, ex-presidente da Câmara preso...", lembrou. Bolsonaro disse, no entanto, que o atual ministério tem as "portas abertas" para todos os parlamentares. Mas, para o presidente, parlamentar não tem que votar com o governo porque foi "atendido em alguma coisa".

Na entrevista, Bolsonaro disse também acreditar que o vice-presidente Hamilton Mourão não tem a "pretensão de minar" o governo. "Mas outros fazem isso para ganhar algo à frente", disse. "Aqueles que não pensam em progredir têm que comprar um lote no cemitério, mas não acredito nisso (em minar o governo) por parte do vice."

DECISÕES DA PETROBRAS

Ainda durante a entrevista, Bolsonaro reafirmou que não há ingerência na Petrobras e que a empresa possui uma política própria de preços "para não quebrar", falou. "Eles têm um mecanismo de reajustar o combustível que leva em conta a variação do dólar e o preço fora do País", concluiu.

Recentemente, no entanto, o presidente interferiu na decisão da empresa de reajustar o preço do diesel ao pedir explicações ao presidente da companhia e, dessa maneira, retardar a decisão anteriormente tomada. A postura de Bolsonaro desagradou aos investidores e o valor da empresa, negociada em bolsa, foi negativamente afetado.

"Se nós agirmos com racionalidade e pensarmos no Brasil temos como buscar soluções para os nossos problemas. Quando você entra para cruzar o Atlântico, se não se preparar para a tormenta, pode ser surpreendido", declarou.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O presidente também acredita que com uma boa reforma da Previdência o governo terá "folga de caixa para atender a população". De acordo com ele, a reforma é como uma vacina: "Tem que dar a vacina no moleque, e a nova vacina no momento é a Nova Previdência". O presidente complementou afirmando que "não é fácil governar o Brasil e que, por isso, tem que ter equipe de ministros que converse contigo; são 24 pessoas (incluindo o vice-presidente Hamilton Mourão) para buscar soluções para o Brasil".

Bolsonaro também respondeu a declaração do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho, feita no Dia do Trabalho, que defendeu que o 'Centrão' deveria "desidratar" a reforma da Previdência para evitar a reeleição dele. "Já que Paulinho falou isso, ele não está pensando no Brasil", disse.

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