Bolsonaro diz querer 'ponto final' na briga entre filho e Mourão
Por meio do porta-voz, presidente reitera que sempre estará ao lado de Carlos Bolsonaro, mas cita “consideração e apreço” por seu vice
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quarta-feira, 24 de abril de 2019
Por meio do porta-voz, presidente reitera que sempre estará ao lado de Carlos Bolsonaro, mas cita “consideração e apreço” por seu vice
Folhapress 

Brasília - Numa tentativa de amenizar a troca de farpas públicas pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou por meio do porta-voz do governo que quer colocar "um ponto final" na "pretensa discussão" entre o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).
"De uma vez por todas o presidente gostaria de deixar claro o seguinte: quanto a seus filhos, em particular o Carlos, o presidente enfatiza que ele sempre estará a seu lado. O filho foi um dos grandes responsáveis pela vitória nas urnas, contra tudo e contra todos", afirmou o general Otávio Rêgo Barros, porta-voz da Presidência, nessa terça-feira (23).
Ao falar sobre Carlos, segundo Rêgo Barros, o presidente disse que ele "é sangue do meu sangue".
Bolsonaro fez um afago a Mourão dizendo que ele é o subcomandante do governo e que topou o desafio das eleições, acrescentando que o vice tem dele "consideração e apreço".
Sem citar o nome do guru da direita e escritor Olavo de Carvalho, o porta-voz disse que o presidente ressaltou "de forma genérica" que quaisquer outras influências de contribuições com o governo para mudanças no Brasil "serão muito bem-vindas".
"O senhor presidente evidencia que declarações individuais publicadas em mais diversas mídias são de exclusiva responsabilidade de quem as emite", afirmou.
Na manhã dessa terça, Carlos criticou publicamente Mourão por ele ter aceitado um convite elogioso para palestrar nos EUA há duas semanas. Nas redes sociais, ele afirmou que, "se não visse, não acreditaria que [Mourão] aceitou com tais termos" a proposta feita pelo Wilson Center, tradicional ambiente de estudos e palco de palestras de diferentes campos políticos. O convite, de 9 de abril, apontava o vice como "uma voz de razão e moderação, capaz de orientar a direção em assuntos nacionais e internacionais".
MANTER A CALMA
Mourão, ao deixar seu gabinete no Palácio do Planalto, afirmou nessa terça que tem adotado uma linha de ação de não criar um confronto e exemplificou com um ditado popular. "A minha mãe sempre dizia uma coisa: 'Quando um não quer, dois não brigam'. Está certo? Então, essa é a minha linha de ação. Vamos manter a calma", disse.
O general da reserva salientou que não teve oportunidade de tratar a questão com o presidente e ressaltou que Bolsonaro tem o seu ponto de vista sobre o assunto. "O presidente é o presidente, né. Ele tem a forma dele de pensar. Aguarda, né. Filho é filho", afirmou.
Nos bastidores, Mourão tem tido o apoio do núcleo militar do Palácio do Planalto, que considera prejudicial ao presidente os ataques e interferências de seu filho.


