Imagem ilustrativa da imagem Bolsonaro diz que errou ao insistir em demarcação de terras indígenas pela Agricultura
| Foto: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO - Bolsonaro

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro reconheceu nessa sexta-feira (2) que cometeu um erro ao ter assinado uma nova medida provisória que buscava transferir para o Ministério da Agricultura a responsabilidade pela demarcação de terras indígenas. Um dia antes, por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) havia derrotado o presidente e manteve a prerrogativa de demarcação com a Funai (Fundação Nacional do Índio), órgão ligado ao Ministério da Justiça.

O Congresso já tinha se posicionado contra a mudança, mas o presidente insistiu e enviou uma nova medida provisória sobre o mesmo assunto, o que a legislação não permite que seja feito na mesma legislatura. "Teve uma falha nossa. Eu já adverti a minha assessoria, teve uma falha nossa. A gente não poderia no mesmo ano fazer uma medida provisória de um assunto. Houve falha nossa. É falha, é minha, né!? É minha porque eu assinei", disse.

Em entrevista na sexta-feira, Bolsonaro fez questão de ressaltar que a decisão do STF foi "acertada". Em seu voto, o ministro Celso de Mello disse considerar a reedição de MPs da iniciativa "um resquício de autoritarismo". O presidente reconheceu o equívoco após cumprimentar simpatizantes na entrada do Palácio do Alvorada. No local, ele avaliou ainda que há um mal-entendido no país sobre a atividade de garimpagem.

PESQUISA

Segundo pesquisa Datafolha divulgada também nessa sexta-feira (2), 86% dos brasileiros rejeitam proposta elaborada pelo Palácio do Planalto de permitir a garimpagem em reservas indígenas. "Eu acredito que possa ser um número realmente compatível, porque, do lado de cá, quando se fala em garimpo, vem a imagem de um cara com jato de água desbarrancando tudo", disse. "Não é assim esse garimpo. Esse é o industrial, geralmente", acrescentou.

Ele explicou que a iniciativa permitirá a atuação de garimpeiros autônomos, mas reconheceu que é uma medida polêmica. Por isso, avalia divulgar o conteúdo da proposta antes de enviá-la à Câmara dos Deputados. "O que tenho vontade de fazer, antes de apresentar um projeto polêmico, é publicar o anteprojeto de lei, para ter críticas", disse.

Bolsonaro lembrou que ele próprio já garimpou e que a ideia é que os garimpeiros passem, a partir de agora, a fazer a atividade respeitando o meio ambiente, sem utilizar mercúrio. "O garimpeiro vive disso. São seres humanos. Se você não regulamentar ou legalizar, eles vão continuar fazendo isso. Algumas vezes de forma inadequada", disse.

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