Porto Alegre - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mudou o tom sobre o julgamento dos seus direitos políticos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Após o conformismo dos últimos dias, quando reclamou ser alvo de um "julgamento politiqueiro", Bolsonaro declarou acreditar em um pedido de vista e citou a jurisprudência do julgamento do chama Dilma-Temer, em 2017.

Brazilian former President Jair Bolsonaro gestures after an event held by the Liberal Party at the Auditorio Dante Barone in Porto Alegre, Brazil on June 23, 2023. (Photo by SILVIO AVILA / AFP)
Brazilian former President Jair Bolsonaro gestures after an event held by the Liberal Party at the Auditorio Dante Barone in Porto Alegre, Brazil on June 23, 2023. (Photo by SILVIO AVILA / AFP) | Foto: Silvio Avila/AFP

O ex-presidente está desde quinta-feira (22) em Porto Alegre. Nesta sexta-feira (23), ele participou de um evento de filiação de prefeitos ao PL na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Ele está sendo julgado no TSE por, em uma reunião com embaixadores, ter mentido sobre a segurança do processo eleitoral. O fim do processo está previsto para a quinta-feira (29) e poderá deixá-lo inelegível.

Questionado em entrevista à Rádio Gaúcha se acreditava que o julgamento teria um desfecho rápido, Bolsonaro citou a possibilidade de um pedido de vista do ministro Raul Araújo Filho. "O primeiro ministro a votar depois do relator, o ministro Benedito [Gonçalves], é o ministro Raul. Ele é conhecido por ser o jurista de bastante apego à lei. Apesar de estar em um tribunal político eleitoral, há uma possibilidade de pedido de vista. Isso é bom porque ajuda a gente a ir clareando os fatos", disse.

Sobre os rumos do julgamento em si, Bolsonaro disse que, "em julgamento justo", espera que os seus direitos políticos sejam mantidos. "Houve uma jurisprudência em 2017, quando julgaram a chapa Dilma-Temer e o tribunal não aceitou outras provas anexadas ao processo. Ficou valendo para o julgamento apenas a ação inicial do PSDB em 2015. Dessa forma, a chapa foi mantida legal. Naquele momento Dilma Rousseff não era mais presidente, foi cassada no ano anterior e mantidos os direitos políticos dela e dessa forma Michel Temer continuou presidente da República", disse o ex-presidente.

O argumento é que, em 2017, o TSE não aceitou fatos novos na hora de julgar Dilma e Temer. Por isso, a avaliação do seu caso, para ele, deveria se reter apenas à reunião feita com embaixadores, e não a declarações posteriores questionando as urnas, por exemplo.

No julgamento de 2017, a maioria dos ministros do TSE optou por não levar em conta delações de empresários da empreiteira Odebrecht que mencionavam doações para a campanha de Dilma e Temer e planilhas da empresa sobre pagamentos de propina.

"Quando se acontece uma coisa dessas, cria-se uma jurisprudência. E a mesma coisa deverá ser feita por parte do TSE não aceitando outras possíveis provas inseridas no processo inicial do PDT lá atrás", disse Bolsonaro.

Caso condenado, ele estará apto a se candidatar novamente em 2030, aos 75 anos, ficando afastado portanto de três eleições até lá, incluindo a próxima nacional, em 2026.

VEREADOR

O ex-presidente também afirmou querer continuar elegível e disse que pensa sair candidato ou para vereador no Rio de Janeiro, no ano que vem, ou até para a Presidência em 2026. "Estou pensando em ser candidato a vereador no Rio de Janeiro. Qual o problema? Não há demérito nenhum. Até vou me sentir jovem, geralmente a vereança é para a garotada", falou já no evento do PL no Rio Grande do Sul.

"Em 2026, se estiver vivo até lá e também elegível, se essa for a vontade do povo, a gente vai e disputo novamente a Presidência", afirmou.

O político do PL indicou nesta sexta que haveria um motivo diferente para a Corte julgar agora a ação: "Só como curiosidade, o presidente do TSE em 2026 será Kassio Nunes, que eu indiquei. A vice-presidência será do terrivelmente evangélico André Mendonça, que eu indiquei. As coisas mudam e será que essa mudança antecipa essa vontade?".

Na entrevista à Rádio Gaúcha, Jair Bolsonaro também foi questionado sobre o 8 de janeiro de 2023 e disse não considerar os acontecimentos daquele dia um golpe de estado. "Que golpe é esse dado no domingo com cadeiras vazias? Que golpe é esse que você vai dar com senhorinhas com bandeira do Brasil e Bíblia debaixo do braço?", disse.

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