Bolsonaro diz a aliados que a mídia é adversária
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quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Igor Gielow e Marina Dias Folhapress 
São Paulo - O candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quinta-feira (11) a correligionários eleitos no domingo para o Congresso que a mídia é uma adversária de sua campanha. "Tomem muito cuidado com a mídia. [Ela] quer ganhar uma escorregada para me atacar. Recomendo nem falar [com jornalistas], que parte da mídia quer nos desgastar", afirmou.
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Ele falou a um grupo de parlamentares eleitos. "Nós conseguimos enfrentar inimigos de toda ordem. O atentado [que sofreu no dia 6] é porque nós somos um perigo não para a democracia, mas um perigo para os que teimam em não ser brasileiros", disse.
Ele afirmou ainda que irá flexibilizar o porte e a compra de armas por meio de decreto presidencial.
Disse que "o futuro ministro da Agricultura e do Meio Ambiente" irá combater reservas indígenas. "Índio tem de ser gente como a gente", afirmou, prometendo combater o "fantasma do triplo A" - referência a Andes, Amazônia e Atlântico, uma superregião que Bolsonaro acredita estar sob ameaça de apropriação estrangeira.
Instado por nordestinos presentes a falar sobre a região, a única em que não ganhou no primeiro turno, Bolsonaro afirmou que "vamos deixar essas doenças", em referência aos partidos de esquerda vencedores por lá. "Lá tem gente que vota no PT, no PCdoB. Vamos resgatar essas pessoas", disse, completando que elas foram vítimas de "doutrinação".
HADDAD
Após se frustrar com o "apoio crítico" declarado pelo partido de Ciro Gomes (PDT) à sua candidatura, Fernando Haddad (PT) decidiu investir em outros nomes e visitou em Brasília o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa. O objetivo era tentar convencê-lo a participar de uma frente democrática que se contraponha a Jair Bolsonaro (PSL).
O encontro reservado aconteceu na noite desta quarta-feira (10), com a presença do presidente do PSB, Carlos Siqueira. Haddad antecipou sua ida à capital federal, que só aconteceria na manhã desta quinta (11), para a reunião com Barbosa. O ministro aposentado foi relator do mensalão, que condenou e prendeu petistas históricos, como José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha.
Segundo relatos, o ex-presidente do STF - que cogitou disputar a Presidência da República, mas desistiu em abril alegando motivos pessoais - mostrou-se preocupado com a situação do país, mas não foi assertivo quanto a um apoio declarado à candidatura petista.
Haddad ficou preocupado ao ser informado de que Ciro viajaria à Europa nesta quinta-feira (11). O candidato do PT ainda tinha esperanças de convencer o ex-adversário a integrar sua equipe e estimular a formação de um frente suprapartidária pela democracia junto com ele. Além de Barbosa, a campanha de Haddad quer procurar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a ex-senadora Marina Silva (Rede) para compor essa frente.
A ausência de Ciro no Brasil logo na saída do segundo turno - ele deve ficar ao menos 10 dias no exterior - foi entendida como senha por Haddad de que ele não quer participar de um movimento mais amplo contra Bolsonaro. Dirigentes petistas afirmam que a situação de Ciro é "preocupante". O pedetista teve 12% dos votos válidos no primeiro turno e pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta mostra que muitos deles migram para Haddad, que hoje tem 42% frente a 58% de Bolsonaro.


