Bolsa suspende venda de ações durante 22 horas
A Bolsa de Valores do Paraná suspendeu a comercialização das ações do Banestado das 15h20min de quarta-feira às 13 horas de ontem. A interrupção se deu devido à inquietação de investidores em relação à privatização do banco pelo governo do Estado, conforme informou o presidente da bolsa, Abílio Peixoto Neto (foto). O pregão só voltou a operar com normalidade ontem, depois da direção da bolsa tornar público um fax enviado pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, por volta das 17 horas de quarta-feira, detalhando o teor da mensagem entregue à Assembléia Legislativa.
As informações do secretário, prevendo a privatização num prazo de um ano, tranquilizaram o mercado financeiro. As ações do Banestado mantiveram a cotação dos últimos dias e ontem foram comercializadas a R$ 5,63 por unidade. Não podemos deixar nada obscuro, disse Peixoto Neto. A bolsa sempre age com cautela. Principalmente quando há dúvidas sobre o patrimônio líquido da instituição, se está negativo ou positivo, reforçou o superintendente da bolsa, Amaury Angelo Stocchero. Ele afirmou ainda que informações desencontradas sobre qual será o rumo do Banco também contribuíram para a movimentação no mercado.
O detalhamento da situação financeira do Banestado, que será dado em público aos deputados na Assembléia Legislativa na próxima segunda-feira, não foi antecipado apenas para a Bolsa de Valores do Paraná. Um grupo de 27 deputados estaduais, integrantes da base de sustentação política do governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia, reuniu-se até às 22h30min da quarta-feira com o secretário em seu gabinete, em Curitiba. Segundo uma fonte governista, Gionédis conseguiu contornar a inquietação existente entre os deputados e afinar o discurso, já incorporado pelos líderes dos partidos alinhados a Lerner.
A fonte garantiu ainda que o secretário da Fazenda vai apresentar na segunda-feira um histórico sobre as dívidas do Banestado durante os governos Roberto Requião (PMDB) e Álvaro Dias (PSDB). Transações financeiras avalizadas durante o atual governo e que contribuíram para o déficit do Banestado também foram analisadas pelo secretário. Gionédis apontou a legislação bancária, que permite a renegociação dos contratos de leasing, como uma das responsáveis pelo agravamento da inadimplência.
A documentação explicando a situação do Banestado tem de 20 a 30 páginas e contém a lista dos inadimplentes que foram parar na Justiça. Os deputados governistas não tiveram acesso aos nomes, ainda mantidos sob sigilo pelo secretário. Diretores do Banestado auxiliaram o secretário no repasse das informações.
A oposição tentou avançar ontem na busca de um mecanismo judicial para impedir o acordo que será firmado até o dia 30 com o Banco Central. Ângelo Vanhoni (PT) reuniu-se com advogados para definir uma linha jurídica. Hoje, o deputado deverá enviar ofício ao Tribunal de Contas do Estado pedindo a prestação de contas do Banestado de 97. Uma ação na Justiça Federal também está sendo avaliada, informou. Vanhoni pretende conversar hoje com o senador Osmar Dias (PSDB) para definir qual será a estratégia para reter o acordo com o BC na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE).





