Bolsa Família deve premiar alunos aprovados
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sexta-feira, 18 de maio de 2007
Lígia Formenti<BR>Agência Estado 
Brasília - O Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome propôs a premiação de R$ 204,00 para alunos de 5a 8 séries da rede pública que passem de ano. A sugestão integra o plano de renovação do Bolsa Família, cujo carro-chefe é a atualização do benefício para famílias cadastradas.
A premiação anual para alunos, anunciada ontem, substitui outro incentivo que já havia sido cogitado: a concessão de uma poupança para o estudante que termina o 2º grau. ''Acreditamos que o benefício anual seja mais efetivo '', justificou a secretária Nacional de Renda e Cidadania do Ministério, Rosani Cunha. Ela avalia que alunos que estão prestes a completar o 2º grau já venceram dificuldades importantes e naturalmente têm maiores chances de fechar o ciclo. Já o benefício anual ajuda estudantes ainda no início da vida escolar. ''Sem falar que a perspectiva do prêmio, a curto prazo, traz um estímulo maior'', completou.
Rosani anunciou a proposta do prêmio aprovação durante a apresentação de um estudo sobre o impacto do Bolsa Família. Realizado em 2005, o trabalho baseou-se na análise de 15.240 famílias, distribuídas em 269 municípios do País. A pesquisa comparou os gastos de grupos cadastrados com famílias ''clones'' - com mesmo perfil econômico mas ainda não incluídas no programa.
A comparação mostrou que, entre famílias de extrema pobreza, com renda per capita de R$ 50,00, beneficiários do Bolsa Família tiveram um gasto anual R$ 485 superior ao de famílias não inscritas.
Entre o grupo com renda per capita de R$ 100, a diferença entre beneficiários do Bolsa Família e seus ''clones'', não foi significativa na média brasileira. No Nordeste, participantes do programa consumiram R$ 470 a mais do que seus clones. Estes ganhos, porém, foram neutralizados pelos resultados do Sul/Sudeste. Nestas duas regiões, famílias que recebem o benefício gastaram R$ 601,60 a menos do que seus ''clones''.
Este desempenho pior de nas regiões Sul e Sudeste foi registrado também em outros itens, como transportes e despesas diversas. ''As causas dessa desvantagem ainda não são conhecidas. Tudo o que dissermos será uma especulação'', afirmou o secretário de Avaliação e Gestão da Informação, Rômulo Paes.
Paes avalia que, em termos gerais, famílias beneficiadas pelo Bolsa Família gastaram bem os recursos concedidos: investiram mais em alimentação, em vestuário infantil e na educação infantil. Mas famílias atendidas pelo programa também gastaram mais com fumo e bebida alcoólica.
A pesquisa avaliou a taxa de ocupação dos adultos beneficiários do programa. Entre o grupo de extrema pobreza (renda per capita de R$ 50), a taxa de ocupação foi 3,1 ponto porcentual maior do que a do grupo ''clone''. Na faixa de famílias pobres, a ocupação foi de 2,6 pontos porcentuais.


